de longe

estou de longe. vendo de longe a greve. achando de longe linda a mobilização. irritada com a violência policial. meio que o de sempre. eis que leio o relato de um amigo saindo da confusão, indo pra longe pra pegar o metrô. e sendo encurralado e ameaçado por policiais à paisana com armas “de verdade” que ameaçaram ele e os dois amigos. que andavam pela rua. era como se dissessem que ele não podia ir pra casa sem apanhar.

daí eu, que andava absorta nos meus problemas, tentando achar as minhas soluções, tô aqui pensando que o mundo tá mais errado do que a gente pensa. aqui as coisas são difíceis. do tipo só os fortes sobrevivem. é tomar banho de cuia, é não ligar pras 20x ao dia que falta luz. é se programar para trabalhar quando a luz volta. é saber que amanhã vai ser igual. e depois. aqui é o rei local que manda. numa espécie de democracia que nós não compreendemos. aqui a gente precisa se adaptar ao outro.

e daí eu não sei onde quero chegar. sei que talvez o mundo ainda tenha muito para andar para conseguirmos não ser isso. em que poucos efetivamente podem alguma coisa. em que o policial saiba que ele está ameaçando alguém por ser diferente, e apenas isso. em que as pessoas parem de se sentir ameaçadas pelo diferente.

eu brigo e falo e tento mexer em pesquisas em que possamos ter o diferente como parte. e daí eu me vejo numa diferença de mim e fico sem chão. isso é algo que preciso entender e lidar. como falar de diferença se eu mesma não a aceito por vezes? como discutir o desigual se eu me vejo querendo o igual? o texto vai ficando mais sem sentido porque ele não deixa de ser uma colagem. mais um texto dentre muitos que tenho deixado pelos aplicativos. pelo blogger, pelo evernote, pelo word. são páginas e páginas de palavras tentando fazer sentido do que eu estou vivendo. para mim e para os outros. páginas e páginas tentando colocar o mundo em algum eixo. e daí hoje. acordei e li o relato do amigo. e fiquei pensando na arma. no pm. na vida. e tentando entender porque isso tudo que eu tô fazendo.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Antonia’s story.