lendo

eu fui ler uma história aqui. e era uma autoficção. ou era uma biografia? jamais saberei. em que a menina falava do rapaz. uma autoficção dessas de internet que nem tem mil e uma por aí. é pouco. é psicologizante. é tantas coisas. eu podia interpretar aqui e então eu acho que nem é pouco, porque permite interpretação e tanta gente se toca com isso. daí eu tento tirar os meus preconceitos da história e percebo que. oras vejam. eu li tudo porque, claro, me identifiquei.

eu nunca mais tinha sequer pensado em você. afinal, você foi só um necessário. aquilo que aparece quando a gente tá precisando. um cara bonito que percebeu que eu existia. eu deixo de existir vez em quando. definho. emagreço. talvez seja depressão. minha analista acha que é só tristeza. manda eu continuar indo e diz que é normal. ficar triste com coisas tristes. bom. e numa hora dessas, você apareceu e me viu. eu curti seus olhos claros. mas isso não é novidade. eu curto olhos claros.

eu quis acreditar no que você me falava. eu precisei acreditar naquela hora. eu precisava acreditar no futuro. e por que não? eu saí com você. a gente se divertiu, acho. na lapa. no show. acho que sim. eu te mostrei um pedaço do rio. não sei se você reparou a importância que eu dou ao rio. é meu amor primeiro, não canso de falar. daí você sumiu. e foi tudo meio esquisito e tão normal ao mesmo tempo. é tudo assim, né? as coisas nem sempre são mais do que são.

e te vi outro dia. e lembrei disso tudo. e ando imersa em memórias. tudo tem sido interessante nas minhas memórias. até você. senti saudades até do apartamento sempre sujo e do sumiço. na verdade. acho que não são saudades de você. é saudade de não estar invisível.

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