o sal

isak dinensen que dizia. tudo é curado com água e sal. seja lágrimas, suor ou mar. a gente acorda sabendo que tá tudo enrolado e a cabeça é um novelo. e as lágrimas não tão dando conta e estão em cachoeira. e o suor não tá dando conta nem com mil pranchas por dia. e o corpo dói inteiro da tentativa. e o amigo fala “um mergulho caía bem”.

acende a luzinha. vc enfia o biquíni na bolsa. resolve o resto que precisa fazer. se troca no posto, pura preguiça de ficar pelada na praia — não que nunca tenha feito isso sem querer, claro — e encontra gente pelo caminho. sempre se encontra amigos na praia. a praia é onde o carioca pode saber sua turma, de algum jeito. a minha virou o leme. já foi o 9. é o arpoador também. mas o leme é mais bacana. pra mim. agora. daqui a pouco volta o arpoador. o 9, acho que passei da idade. enfim, tergiverso.

o ombro doía. o mar tava batido. puxando demais. os helicópteros não saíam de cima da gente. os apitos pedindo pra não entrar aqui ou acolá. e eu defini que eu precisava ao menos molhar a cabeça. pedir a benção. tava com saudades. não vou dizer que encarei as ondas. peguei trauma depois do caldo que entortou meu ombro. mas pelo menos deu pra me molhar. o sal melhorou o ombro, aliás. passou a dor. e nem tem água em casa. mas tá tudo certo. o que eu precisava lavar. o mar levou.

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