passado

Começo reclamando de mim mesma. No velho blogspot eu tinha parado de fazer diário e tentado fazer ficção. Aqui, não sei porque cargas d’água, voltei pra isso.

Achei uma foto dele. Não, ele não foi uma história especial na vida. Ou foi, como tantas outras histórias especiais. Eu tenho o péssimo hábito de dizer que ninguém é especial, menos pra mim. Cada um dos meus afetos foi especial ou é especial pra mim da sua forma, cada um tá ali diferente dos outros, com mais ou menos conflito. Mas afeto eu meio que guardo numa caixinha pra vida. A mágoa eu consigo jogar fora e ficar só uma lembrança do que foi a briga. O afeto, não. Fica ali separado com o pensamento “ah, se eu tivesse feito de outro jeito…”

Ele morava longe. Era mais novo. E eu era bem mais nova também. Era pra ser só um verão, sabe? Aquelas histórias que todo mundo tem, um verão no rio. Posto 9, pôr do sol, coqueirão, cerveja, apitos, essas coisas do fim dos anos 90. Eu era um palito de magra. Achava que era importante ser um palito de magra. Mas isso é outra história. Tem a ver com minhas obsessões e com minha análise. Não é disso agora.

E enfim, ele sabia que a minha calça era nova um dia no baixo gávea. E eu sabia onde ele morava. E a gente andava com a mesma galera. Muito importante aos 20 anos andar com a mesma galera. E a gente ia pra esse circuito da praia e dos bares e das festas com farofa carioca e forró e baile charm. Como todo mundo ia. E a gente ficava vez em quando. Quer dizer. É. era isso. Nada além disso.

E um dia, em vez de ser bom, foi ruim. E eu fui grossa. E ele também. E viramos essas pessoas que se dão parabéns pelo facebook mas nunca mais se vêem. E eu acho isso muito estranho. Ele tem uma família bonita.