volta

hoje uma amiga falou “faremos quando voltares”. e eu fiquei pensando. que quando eu voltar. tenho enorme lista do que quero. número um sendo banho quente e cama macia. quero presunto. quero couve flor. quero creme de leite. quero abraços. quero os amigos todos. até os que eu ando de saco cheio. um amigo disse que as redes sociais acabaram com as saudades. é mentira. estou uma chaga aberta de saudades. quando eu voltar. quero sentar na varanda conversando com os amigos. tomando suco. quero andar de biquíni na praia. quero fazer as unhas. quando eu voltar o mundo vai estar igual. calamidades não se interrompem porque a vida da gente continua. quando eu voltar. comerei muito sorvete bom. e peixe que não seja bagre. quando eu voltar. quero sentar na cama lendo e rindo vendo tv. ir ao cinema no meio da tarde. andar pela rua sabendo onde estou. quero ir ao samba e acabar com o sapato. quero pegar um ônibus que tem trajeto definido. quero não discutir o preço do táxi antes de entrar. quero comer carne. rosbife. quando eu voltar. levo as receitas. o inhame frito. o acará (que ok, é acarajé, mas aqui eu gostei tão mais). levo a pimenta. quero o suya pro resto da vida. a cerveja barata. quando eu voltar. quero voltar inteira, talvez a laca dourada que anda entrando nas rachaduras aqui seja boa. quero sentar com as pessoas e lembrar como é que começa de novo tudo. sem todo esse passado que eu carrego nas costas. a nigéria me livra de mim.

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