Por que precisamos de alimentos mais conectados?

Alimentos desconectados

Há muito tempo, as pessoas sabiam exatamente de onde vinham suas comidas: de suas próprias florestas, campos e rebanhos. Atualmente, a maioria das pessoas vive em cidades e compra alimentos processados em supermercados. Há uma desconexão com as origens do que comemos.

A cadeia de suprimentos de alimentos de hoje é longa e complexa. Das sementes e fertilizantes que o agricultor compra, à sua colheita, ao comerciante de mercadorias, ao expedidor, ao processador, ao varejista e finalmente ao consumidor. Ao longo do caminho, a comida às vezes muda além do reconhecimento. Por exemplo, as pessoas compram seus peixes e frango em filetes e embrulhados em plástico. Elas ficariam horrorizadas com a perspectiva de levar para casa um animal vivo nos dias de hoje.

Isso é um problema? Sim. Todos na cadeia de suprimentos devem ser compensados pelo trabalho que fazem. Mas a cadeia de suprimentos está longe de ser transparente. Os consumidores não têm uma visão do trabalho que é dedicado para produzir a comida ou como a margem de lucro é distribuída ao longo da cadeia. Eles não têm ideia se o que pagam atende às necessidades de todos.

Mas isso pode ter um impacto enorme. Se os agricultores não conseguem ganhar a vida na fazenda e deixam a agricultura, isso pode desestabilizar a cadeia de abastecimento alimentar. O público em geral parece pensar que a agricultura é mais uma questão de amor ao que se faz do que uma atividade profissional voltada para uma vida de ganhos decentes — o que é uma ideia absurda.

Os consumidores também tomam por certo que podem comer o que quiser no dia a dia e que o mercado oferecerá um preço decente. Uma das últimas tendências, por exemplo, é o leite de amêndoa, que levou à crescente demanda por essa oleaginosa. Os agricultores respondem plantando mais amendoeiras, mas essas plantas levam cinco anos para produzir amêndoas. Até lá, a campanha publicitária do leite de amêndoa pode ter acabado há muito tempo.

Mesmo em um país grande em produção agrícola como a Holanda, os desequilíbrios entre oferta e demanda são comuns. Nos meses de verão, a oferta de produtos sazonais muitas vezes supera a demanda. O preço do repolho, por exemplo, cai para um nível em que o agricultor não consegue sequer recuperar o custo da colheita e simplesmente o deixa no campo. Ajudaria se a alimentação com as estações voltasse à moda como um primeiro passo para reconectar os consumidores à comida.

Transparência

Mas o que podemos fazer estruturalmente para reparar os desequilíbrios? E para garantir que todos os atores da cadeia ajam de forma responsável e recebam uma quantia justa da margem do lucro? A resposta é tornar a cadeia global de abastecimento alimentar mais transparente, monitorando-a e coletando dados.

Se os consumidores tomarem conhecimento das práticas insustentáveis e injustas, é mais provável que eles queiram pagar por melhorias. Ainda mais importante, as multinacionais de alimentos vão querer pagar. Primeiro de tudo porque é bom senso de negócio. Uma cadeia estável garante o fornecimento de matérias-primas para uma empresa. Mas também para preservar a imagem de sua marca. Elas têm uma grande responsabilidade pela estabilidade da cadeia de suprimentos e estão cada vez mais sendo responsabilizadas. Não apenas pelos consumidores, mas também pelos acionistas.

O Rabobank desempenha um papel capacitador na inovação relacionada a dados no setor agrícola: agricultura inteligente, robotização, drones. Por meio do nosso network global, colocamos multinacionais, agricultores e varejistas em contato com startups que podem ajudá-los a coletar e alavancar dados essenciais. E então ajudamos as partes a vincular esses fluxos de dados. Isso fornece informações sobre toda a cadeia de fornecimento de alimentos, do campo ao prato. Com essa percepção, todos na cadeia, de consumidores a produtores e investidores, podem tomar decisões que tragam melhorias.

Maior risco para baixa renda

Estabilizar a cadeia de abastecimento alimentar é particularmente importante para os mercados emergentes. As pessoas mais atingidas pela escassez e os altos preços são sempre aqueles com baixos rendimentos. Enquanto as pessoas nos países desenvolvidos gastam apenas 10% de sua renda em alimentos, nos mercados emergentes isso varia de 50% a 80%. Quando os preços dos alimentos sobem em espiral, elas não conseguem se alimentar.

A escassez de alimentos é um problema muito mais urgente do que a escassez de eletricidade ou gasolina e é muito mais rápida para impactar a situação política. Estômagos vazios são muitas vezes a força motriz por trás dos conflitos e da migração. Em 2011, por exemplo, o aumento nos preços do trigo desencadeou uma onda de agitação global, desde a Crise Tortilla no México até a Primavera Árabe.

Uma cadeia de fornecimento de alimentos mais estável e sustentável na África poderia ajudar a conter o fluxo de migrantes. Se o seu próprio país oferece alimentos, água e oportunidades de crescimento suficientes, faz pouco sentido embarcar em uma jornada de alto risco. Agora, as circunstâncias obrigam as pessoas a fugir porque muitas vezes elas não têm nada a perder.

Trabalhamos pelo melhor

A cadeia de abastecimento alimentar é a cadeia de fornecimento mais importante do mundo. E o Rabobank tem um papel a desempenhar para que ela funcione melhor. Não apenas como provedor de finanças, mas compartilhando nosso conhecimento network global. Ajudamos nossos clientes a projetar soluções modernas baseadas em dados que criam a transparência necessária. Isso, para mim, é o que faz o meu trabalho no Rabobank valer a pena.


Texto adaptado de Gilles Boumeester, Global Head do departamento de pesquisa e análise setorial do Rabobank. Conteúdo produzido a partir do podcast “Achieving a stable food supply chain” (em holandês).