Robert Kiyosaki, quadrante e o Kiko!

Carlos Onofre
Nov 2 · 7 min read

Que Robert Kiyosaki é uma referência quando falamos de educação financeira não é novidade.

Este breve resumo pretende estabelecer uma relação prática entre os cenários apresentados por ele em seu livro “Pai rico Pai pobre” com o dia a dia das empresas por uma ótica de um empregado e mostrar a importância de entender as mudanças que estão ocorrendo no mercado para tomar as medidas necessárias para crescer profissionalmente.

O autor mostra um quadrante onde podemos visualizar 4 Perfis financeiros.

Imagem cedida por:

Bruno Kataoka — https://investidorlucrativo.com.br

Fatalmente você e eu estamos posicionados em algum destes e isso revela algo sobre nossa educação financeira.

Como o livro também destaca, educação financeira não é ensinada nas escolas como deveria, o livro foi escrito há 20 anos e isto continua sendo uma realidade, tanto, que a maioria das pessoas como eu estão no quadrante de empregados.

Isto é cerca de 60% das pessoas que têm como fonte de renda a troca do seus serviços/tempo com uma empresa. Em uma relação de patrão/empregado tradicional.

O quadrante onde você está pode ser entendido também como uma evolução natural de um empreendedor que começa como empregado porém toma as medidas para mudar de quadrante.

Afinal, entende que seria a melhor forma de aproveitar seus recursos, experiência e tempo para ter mais retorno financeiro.

Geralmente quando trabalhamos em uma empresa tradicional, aquelas que já tem um longo tempo de mercado e somos bons funcionários isto pode acabar criando uma situação mais confortável.

Nossos benefícios, períodos de descanso regulares garantidos, a sensação que fazemos parte de algo maior, que somos peças importantes de um sistema, até mesmo o aumento progressivo de salário devido ao tempo de casa talvez tenha nos colocado em um nível aceitável em relação ao mercado.

Então, para nós, provavelmente é muito arriscado se aventurar em um empreendimento próprio e é mais um motivo para continuar na posição em que estamos no quadrante.

Mas isso pode mudar a qualquer momento por vários motivos, por iniciativa da empresa ou fatores externos.

Ok, e o Kiko?

O mercado tem entendido cada vez mais que TODA empresa é de tecnologia o que tem gerado oportunidades para empreendedores.

Muitos fundos de investimento tem “apostado” nestes empreendedores e muitas empresas têm criado iniciativas neste sentido.

Um exemplo é a Magazine Luiza que não atuava no ramo de software e com uma pequena iniciativa validou um negócio e acabou se tornando referência no segmento com o Luiza Labs além de ter valorizado a marca em níveis absurdos, isso em menos de 5 anos.

Em muitos casos bons funcionários das empresas tradicionais, principalmente os com potencial e em início de carreira são perdidos para estas “startups” ou iniciativas, muitas vezes devido ao plano de carreira e incentivos que evoluem de forma mais rápida nestes locais do que em ambientes tradicionais.

Estas empresas oferecem estes mimos ou benefícios pois tem recebido aporte financeiro relevante dos investidores e precisam realizar seus empreendimentos, para isso são necessários talentos realizadores.

Não há garantias que estas startups vão se tornar empresas tradicionais, que vão se manter por décadas com estas vantagens, mas com certeza elas têm um apelo interessante para o perfil do empregado.

Veja, mesmo que empresas tradicionais tenham talentos profissionais de carreira, reter os novos pode ser um problema pois o plano de carreira é vagaroso.

Há vários motivos justos para que seja assim, não parece que as empresas estejam erradas, não precisa nem ter uma excelente base financeira para entender que a solução não é simplesmente abrir a carteira e segurar os talentos cobrindo ofertas de salário.

Para que seja sustentável para uma empresa tradicional oferecer um plano de carreira igualmente acelerado onde o colaborador consegue chegar aos melhores salários de forma rápida é preciso de no mínimo 2 coisas.

1 — O empregado passar a se comportar mais como Dono.

Segundo a cultura Gupy, “seja nervoso” não um “nervosinho”.

2 — O Dono se comportar mais como Investidor.

Entendeu a relação com o quadrante do Kiyosaki?

O empregado precisa entender plenamente qual a relação do trabalho que ele executa com o retorno financeiro para a empresa, porquê?

Imagine que você é alocado em um projeto, você compreende o que precisa ser feito e pode em pouco tempo criar uma lista quase infinita de tarefas a serem executadas naquele projeto, em software chamamos esta lista de backlog.

Contudo, quanto precisamos executar naquele projeto para que ele comece a gerar receita?

Para a empresa decidir se vai continuar a investir neste projeto ou não?

Pode ser que o projeto que você trabalhe não tenha por objetivo gerar receita, isso acontece.

Bom, aí você se pergunta, os administradores financeiros da empresa entendem o que isso significa?

O tempo que você vai investir neste projeto vai ser reconhecido?

Não é difícil ficar 2 ou mais anos em um projeto e ele não trazer retorno ou depois de um tempo decidirem que não irão usar pelos mais diversos motivos.

Se entendem, como seu trabalho é reconhecido?

Com “tapinha nas costas” ou progressão de carreira, bufunfa, cascalho, dindin?

A resposta a esta pergunta pode mostrar que nós “Trabalhadores tradicionais” precisamos nos aprimorar nas qualificações necessária para mudar de posição no quadrante.

Tanto quanto as “empresas tradicionais” precisam deixar de lado alguns controles rígidos característicos de Donos em função de uma maior retenção de talentos com empoderamento destes novos profissionais naturalmente com base em retorno financeiro dos projetos em que estão envolvidos, claro.

Antes havia um pensamento que dizia o seguinte: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, que era usado por gestores para demonstrar que o importante era fazer o que ele estava mandando pois ele era o dono ou representante dele e “ele estava te pagando para isso”.

Entretanto, se o seu trabalho não gerar resultado os dois vão perder, no caso você perdeu seu tempo, ele perdeu o investimento e como não teve retorno ele provavelmente não vai te recompensar financeiramente por isso.

Na natureza essa relação é chamada de desarmônica, e não é uma relação muito atraente. A relação almejada e comprovadamente e eficaz quando de trata de mercado de trabalho, é aquela em que todos os lados ganhem proporcionalmente.

Este novo perfil do profissional é muito mais próximo do autônomo ou do dono do seu próprio negócio pois ele está o tempo todo validando cada ação e ordem, como esta ação deve estar relacionada com o retorno do investimento que foi feito seja de tempo ou recursos, se não há esta relação, alguma coisa precisa ser feita, até mesmo abrir mão do projeto em função de uma ferramenta paga que sirva e seja mais barata que manter uma equipe para fazer o mesmo trabalho, neste caso utilizando a mão de obra da equipe agora ociosa em algum outro projeto que dará mais resultado.

De qualquer forma, este profissional não é do tipo que pensa “o patrão está com dinheiro, pode pagar”, e se afunda executando o máximo de tarefas que pode, visando mostrar que está trabalhando muito.

O novo perfil de trabalhador pensa em maneiras de deixar evidente a relação do seu trabalho com o retorno financeiro da empresa.

Já ouvi líderes dizendo que ser um excelente técnico é 30% de um ótimo profissional, pode ser que seja um fato.

Mas quem diz a este técnico que ele precisa evoluir no relacionamento com pessoas?

Que precisa entender melhor de gestão financeira antes de propor uma ação que só vai gerar custos?

Que o projeto que ele acredita ser bom não tem um apelo comercial ou não será consumido pela nossa carteira habitual de clientes, porque ele sequer entende como funciona?

Que as melhores equipes são compostas por pessoas que conseguem enxergar os pontos onde os seus companheiros são melhores do que elas e tornar isso evidente, pois isso gera um clima de respeito mútuo impagável.

A certeza que ninguém produz nada sozinho, e que cada membro de uma equipe profissional tem algo a acrescentar para e execução de um projeto.

As medidas sugeridas por iniciativas ditas “ágeis” tem pregado mudanças nas empresas.

Por exemplo por retirar a responsabilidade por resultados das costas do gerente passando estas para as equipes isto mostra que o que estou falando faz sentido e é importante os membros das equipes estarem preparados para assumirem mais responsabilidades.

Convém destacar pela minha experiência que já vi gerentes super técnicos sem visão de negócios pois acreditavam que não era sua função e gerentes considerados “fracos tecnicamente” apresentando resultados financeiros surpreendentes por serem focados em negócios, então o problema não necessariamente é do papel do gerente.

Na opinião desse empregado com anos de experiência profissional: Visão de negócio é muito mais importante, quanto? 70%.

Para finalizar, gostaria de sugerir dois episódios de podcast que podem te ajudar a perceber que o que estou falando e como está relacionado com o que o mercado está praticando.

Referências:

Kiyosaki, Robert L. Lechter Sharon. Pai Rico, Pai Pobre, edição revista e atualizada, Alta Books, Rio de Janeiro 2018.

Bedy Yang, sócia da 500 Startups. A maior investidora de startups do país. novembro 22, 2017 — Disponível em: https://www.likeaboss.com.br/episodios/bedy-yang-socia-da-500-startups-a-maior-investidora-de-startups-do-pais

Acesso em: 29 de out. 2019

Gestão de pessoas na Gupy — Hipsters On The Road 30/08/2019 — Disponível em:

https://hipsters.tech/gestao-de-pessoas-na-gupy-hipsters-on-the-road-14

Acesso em: 29 de out. 2019

A transformação do Magazine Luiza para se tornar cada vez mais digital — Disponível em:

https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/transformacao-digital-magazine-luiza

Acesso em: 30 de out, 2019

Carlos Onofre
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