Prisão bendita (soneto)
Eis-me aqui a lhe adentrar, prisão bendita
cuja tortura desvairia os meus sentidos
pois desde o instante em que a viram, reunidos
imploraram, sequiosos, sua guarita.
E só assim, enclausurado em suas celas
que enfim consigo vislumbrar a alegria
pois quando envolto em suas sombras vejo aquela
singela imagem, que me entrega à agonia!
Musa intocada; Vênus em seu ateliê
Deusa celeste, que a ninguém quer pertencer
é a mais bela poesia que já li!
Triste destino, infeliz de quem a vê!
torpor da mente, que só pensa em conhecer
vício do corpo, que deseja ter pra si.