A SOMBRA

A sombra a grosso modo é a soma de todos os âmbitos “indesejáveis” da própria personalidade que o ser não quer ver talvez por ter sido muito repreendido por isso na infância e ao longo da vida.

Poderíamos nos fazer uma simples pergunta pra começar a identificá-la em sua raíz “-O que te falta?”

Muitas vezes “o que te falta” poderia ser justamente uma qualidade inerente ao seu ser que você reprime ou esconde dos outros e de si mesma por achar inapropriado devido a acontecimentos na infância (situações vivenciada pela criança ferida), daí podemos começar a entender a expressão do título trabalho de Eva Pierrakos “ Não temas o Mal”, onde ela faz um apanhado de textos que nos ajudam a identificar a nossa sombra e transformar dor pessoal em prazer e plenitude.

A chave é o medo de expressar o EU SUPERIOR seu eu pleno. Antes de entrar num caminho intensivo de auto-exame, o ser humano não sabe que na verdade teme apenas suas próprias profundezas desconhecidas. Ele projeta esse medo real em uma série de outros medos exteriores, podendo ou não tomar ciência disso no decorrer de sua vida. Pois esses medos projetados e deslocados podem muito bem ser negados e encobertos. Uma pessoa pode, por exemplo, ter medo de qualquer aspecto específico da vida. Todo o poder de seu medo oculto do eu pode ser canalizado e concentrado em determinados medos específicos. Ou ele pode temer a vida como tal e assim evitá- la, pois ele evita o eu na medida em que tem medo dele. O medo geral da vida pode ainda ser projetado no medo da morte, já que de fato vida e morte são uma única coisa. Quem teme uma necessariamente teme também a outra.É somente quando este trabalho do caminho adquire foco e a consciência aumenta o suficiente que percebemos que de fato o que mais tememos somos nós mesmos. Reconhecemos esse medo por causa das restrições com que se descobrem, por todas as formas mais ou menos evidentes de resistência, pelo pavor em abrir mão das defesas e permitir a expressão dos sentimentos naturais.

Para começar, não está claro o grau de proteção e de bloqueio da espontaneidade e da naturalidade. Essas proteções passaram a ser uma segunda natureza, a ponto de nós nem mesmo sabermos que elas não são naturais e que nós poderiamos ser muito diferentes sem elas. A nossa incapacidade de nos deixarmos guiar pelas forças involuntárias é um sinal do quanto desconfiamos do nosso “eu” mais profundo.

Jung definiu a Sombra de maneira mais simples, direta e clara, quando disse que esta é “aquilo que ele não se queria ser” (JUNG, 1998, p. 128).

Nesta simples afirmação estão incluídas as variadas e repetidas referências à sombra como o lado negativo da personalidade, a soma de todas as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder, o lado inferior, sem valor, primitivo da natureza do homem, a “outra pessoa” em um indivíduo, seu próprio lado obscuro.

“Jung era perfeitamente consciente da realidade do MAL na vida humana.” (SAMUELS, et alli, 1988, p. 204).

Para Jung (1986) a Sombra é um arquétipo que reside no Inconsciente Pessoal quando procede das experiências do Ego. Entendemos por Inconsciente Pessoal, a porção do inconsciente que carrega todos os conteúdos das vivências e pensamentos que o indivíduo experimentou, mas não registrou; conteúdos que acabou por reprimir e esquecer e, ainda, disposições instintivas que nunca chegaram a atingir o limiar da consciência. Portanto, encontra-se mais próxima da consciência e por isso seus conteúdos podem ser mais facilmente identificados e acessados do que os outros arquétipos, que residem no Inconsciente Coletivo.

O arquétipo da Sombra também reside no Inconsciente Coletivo como o “eterno antagonista”.

A Sombra é constituída de elementos com fortes bases morais, guardando em si os traços obscuros da personalidade com grandiosa carga emocional e possuindo certa autonomia.

“É a imagem de todos os aspectos da personalidade em que nos poderíamos transformar.” (HILLMAN, 1981, p.208).

Neste sentido, revela um potencial de desenvolvimento (criativo ou destrutivo; normal ou patológico).

Quando se fala em aspectos sombrios, na Sombra, está se fazendo uma alusão a um dos referenciais para o Mal. A inconsciência desses aspectos causa dano ou prejuízo ao processo de Individuação, além de interferir na vida diária do indivíduo e do grupo. E, na medida em que vão se tornando conscientes, deve-se ter uma postura madura e responsável para que estes não se prestem aos interesses do Ego, passando-se a agredir os demais com as “próprias verdades”.

Tornar-se consciente não implica em despejar a própria realidade nos outros. Está acima disso. Como já referido, a consciência propicia uma maior liberdade de escolha, até mesmo, do que fazer com os aspectos que se tornaram conscientes. (…).

Geralmente grande parte da nossa Luz está justamente na sombra, que distorce uma característica Nata que em algum momento foi reprimida ou rejeitada, ou, que rejeitamos em nós mesmos e sufocamos, tentando apagá-la mandando pro subconsciente convencidos de que aquilo não faz parte de nós.

Então, cada sombra guarda uma Luz correspondente que foi mal interpretada ou distorcida , olhar pra Sombra e identificar a qualidade não aceita que ela guarda é muito libertador nos leva a uma existência mais plena, com menos medo e por consequência um campo de possibilidades menos poluído, materializando menos do que não nos faz bem e tiramos o foco do medo.

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