Sou uma vítima, e agora?

Muito se fala em vitimização hoje em dia, seja minimizar a realidade de negros, homossexuais, mulheres, moradores de rua, depressivos, doentes e outros, por outro lado, nas filosofias espiritualistas se fala muito que devemos não nos identificar com a vítima para podermos sair desse estado e seguir com as nossas vidas.

Segundo estudos sobre arquétipos, o “arquétipo da vítima” nos alerta da possibilidade de nos deixarmos ser vitimados, através de passividade ou ações “impensadas”, pois quando somos vítimas , nunca a culpa é nossa, temos a certeza de que somos impotentes, e a resposta que o mundo dá para a vítima é sempre positiva, de simpatia e piedade, o que gera uma certa acomodação que se soma a idéia de falta de poder.

Confesso que isso sempre nos deixou um pouco confusas, pois, existem eventos na vida das pessoas onde de fato essas foram vítimas. Um assalto, uma agressão de modo geral e muitas vezes uma doença são fatos, portanto como não se identificar estando de fato em situação de vítima? Se uma situação aconteceu, como se desidentificar e sair desse lugar mental? Como fazer isso de fato e com verdade sem fingir ? Como realmente reassumir o poder pela própria vida dentro de um cenário claramente desfavorável? Por onde começar esse empoderamento?

Depois de muita pesquisa e depois de começar os estudos para o Autocura começamos a puxar esse fio, fazer as pessoas entenderem que tudo o que acontece é responsabilidade delas, sem que essa seja entendida como culpa?

A responsabilidade pelo que nos acontece existe no sentido de, atualmente, vivermos muito num piloto automático sem fim, alimentando ou lutando contra eventos negativos, os quais reforçam em seu inconsciente, campo de possibilidades quânticas, aura, campo de atração cenários desfavoráveis. Dessa forma você pode entender tudo o que faz manifestar certo tipo de evento em sua vida, e essa é uma informação que nunca tivemos acesso.

Manifestamos inconscientemente sempre o que já conhecemos e entendemos do mundo, manifestamos nossos medos, vivemos dentro de muros , grades físicas e emocionais.

Um exemplo seria uma criança que não testemunhou um casamento harmonioso dos pais, presenciando brigas agressivas, independente do grau dessas agressões. Quando adulta, o inconsciente dessa pessoa abraça a crença limitante de que casamentos são sempre assim, e ela segue reproduzindo sucessivos relacionamentos tempestivos, porque é essa a sua verdade inconsciente, que trabalha 24hs por dia influenciando TODAS as escolhas daquela pessoa, das menores escolhas do dia a dia até a escolha de um parceiro em potencial.

É muito doloroso quando chegamos a constatar que o nosso conceito de familiaridade e zona de conforto num nível inconsciente não é sempre positivo. Ficamos confortáveis em situações absurdas, por que é reconfortante que o mundo seja sempre como o conhecemos, reforçando nossas certezas e seguimos em frente nos colocando sempre nas mesmas situações, incoscientemente.

Existem inúmeros condicionamentos sócio-culturais, de gênero, familiares, pra falar apenas de alguns que escolhem por nós. Entendemos que sair da postura de vítima é olhar toda a nossa programação histórica e ver o quanto ela decide por nós, o quanto estamos como que hipnotizados pelo status-quo, pelo medo de não pertencer a um grupo, fazendo escolhas sem colocarmos nossa alma nelas… Fazendo programas, cursos, casando com o tipo de pessoa que não queremos, escolhendo profissões que não queremos como se tivéssemos caído numa armadilha.

Quando seguimos na direção do autoconhecimento podemos ver esse condicionamento atuando em nossa vida de uma certa distância, e, a distância do observador , ou do “terapeuta interno” é o primeiro passo pra enxergar a saída ou localizar as tais armadilhas, e mais importante ainda, enxergar o que queremos de verdade, o que vai nos dar satisfação verdadeira, no coração e na alma, na nossa essência.

Sem esse distanciamento, sem que nos demos contas de que fizemos nossas escolhas como autômatos, teleguiados pelos valores da mídia, sociedade, pai, mãe, irmãos, maridos, filhos, e a lista é longa e resulta em cada individuo “cabendo” num desconfortável molde conhecido. Sem essa analise e distanciamento não conseguiremos nos retirar da condição de vítima, pois não enxergamos como nos colocamos nela para que assim possamos nos retirar e seguir novos caminhos libertadores, sempre entendendo que o “agressor” está num sonambulismo ainda maior, muito longe de ter consciência dos seus atos… levando a crença de dominar, conquistar e possuir como um software rodando na cabeça e agindo por ele.

Liberte-se!

“A vítima que te habita é uma entidade que se tornou especialista em contar histórias de horror a respeito do que a vida faz com você. Ela se alimenta da carência afetiva e da crença na ideia da falta de amor. Essa crença abre uma fenda na sua psique que é um verdadeiro poço sem fundo. A carência está ligada a choques de abandono e rejeição vividos no decorrer da sua vida. Isso cria um círculo vicioso, porque você acaba usando o fato de ter sido humilhado para justificar a reclamação contínua.”
Sri Prem Baba

Fabiola Fera — Arquiteta e Facilitadora de Imersão em Autocura