Arte urbana de 8 metrópoles

Do ato clandestino ao reconhecimento público, o grafite se consagrou como linguagem visual das ruas e está presente sob o status de arte em várias metrópoles no mundo

Publicado em oviajante.uol.com.br/8-cidades-para-curtir-arte-urbana/


A arte não está necessariamente entre quatro paredes atrás de um cordão de veludo. O grafite, antes considerado um ato clandestino de vandalismo, consolidou-se como linguagem visual urbana e hoje é reconhecido como uma forma de arte pública. Importantes instituições de arte moderna, como o Tate Modern em Londres e o Museum of Contemporary Art em Los Angeles, já dedicaram grandes exposições ao tema, que consagraram nomes como JR, Banksy e Os Gêmeos (os brasileiros Otávio e Gustavo Pandolfo). É possível conferir obras de street art em edifícios, ruas e muros de diferentes metrópoles ao redor do mundo. A seguir, as cidades e os locais onde a arte de rua é mais expressiva.

Berlim, Alemanha

Berlim é a meca do grafite e da arte alternativa. A cultura do grafite surgiu no lado ocidental da capital alemã na década de 80; o próprio muro que dividia a cidade foi o alvo das primeiras manifestações do gênero. Desde então, prédios antigos, fábricas abandonadas, estações, trilhos elevados de trem e muitos outros espaços públicos se tornaram uma tela em branco para grafiteiros de toda a parte. O grafite pode ser visto por toda a cidade, sobretudo nos bairros Kreuzeberg, Mitte e Friedrichshain. A East Side Gallery, o mais longo trecho remanescente do Muro de Berlim, reflete o estilo de grafite da cidade.

São Paulo, Brasil

Seja na avenida Paulista ou em outro canto remoto da cidade, milhares de artistas usam os muros da cidade como forma de expressão. Um dos locais característicos da street art é o Beco do Batman, um espaço na Vila Madalena totalmente recoberto pelas mais variadas ilustrações. Os primeiros traços da maior intervenção a céu aberto da América Latina já estão nos muros de São Paulo, onde o Projeto 4KM, uma iniciativa do governo estadual, prevê um corredor de grafite de quatro quilômetros ao longo da Radial Leste.

Londres, Inglaterra

Quando parlamentares britânicos aprovaram, em 2003, uma lei para tornar ilegal o grafite em cidades inglesas, eles não imaginavam que, mesmo com a proibição, Londres se tornaria uma das capitais mundiais dessa arte. Nos bairros do leste da cidade, como Shoreditch, Brick Lane e Camden, você pode conferir tanto o trabalho de grafiteiros de renome internacional como Banksy, Shepard Fairey e Grafter, quanto talentos emergentes como Broken Fingaz, Sweet Toof e Ben Slow.

Nova Iorque, EUA

A cidade mais cosmopolita do mundo é também uma das precursoras do grafite contemporâneo; os primeiros desenhos foram feitos no início da década de 60. Imagens do metrô na década de 70 mostram vagões repletos de tags (gíria para o nome ou pseudônimo do artista assinado). Embora tenha sido proibido nos anos 90, hoje atingiu o mainstream e possui destaque nas ruas de Nova Iorque. Alguns pontos de interesse são a Bowery Graffiti Wall, no Lower East Side; o Centre-fuge Public Art Project, no East Village e o Bushwick Collective, no Brooklyn.

Buenos Aires, Argentina

Para grafiteiros e artistas de rua, a capital argentina é o paraíso: uma cidade que celebra murais de grande escala. A prática é permitida quando o proprietário do local está de acordo (e nesse aspecto os portenhos são bem receptivos). Principalmente nos bairros de Palermo, Villa Crespo e San Telmo, em muros, portões e fachadas são ilustrados grafites emblemáticos, figuras caricatas — como o recorrente Maradona -, e estênceis simbólicos. É característico nessas obras o ativismo político, que traça a história do país desde os dias mais sombrios da ditadura militar, através da crise econômica de 2001, e o atual panorama político sob a era Kirchner.

Valparaíso, Chile

A cidade portuária de Valparaíso é considerada a capital cultural do Chile. Às casas coloridas da cidade somam-se os tons vibrantes do grafite. Entre o casario colonial e os elevadores que sobem os 42 cerros da cidade, se diferenciam os enormes murais que cobram as fachadas das casas e as escadarias com intervenções artísticas criativas. Para descobrir a arte urbana de Valparaíso, um bom passeio pode ser feito pelo Cerro Bellavista, onde está localizado o Museo a Cielo Abierto.

Paris, França

Foi a partir do movimento de contracultura de 68, quando os muros de Paris serviram de suporte para inscrições de caráter político, que a prática do grafite se generalizou pelo mundo, em diferentes contextos, tipos e estilos. Le M.U.R, em Oberkampf, é um mural com obras rotativas, uma das poucas parcerias entre artistas e a prefeitura. É nessa região, no 11e arrondissement, e também em Belleville, no 20e, que se concentra a arte urbana de Paris. Depois de reparar no primeiro alien pixelado, intervenção do artista Space Invader, é difícil não perceber outros milhares de mosaicos do artista espalhados pela cidade. Outros grafiteiros franceses reconhecidos são o JR, o Fred Le Chevalier e C215.

Lisboa, Portugal

Pode ser surpreendente encontrar obras de 15m de altura nas fachadas dos tradicionais prédios em tons pasteis das ruas íngremes de Lisboa, mas é isso que iniciativas como o Projecto Crono estão trazendo à cidade. As pinturas e as intervenções urbanas do programa, que contou com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, foram realizadas por artistas internacionais em prédios abandonados da região central da cidade. Além disso, a GAU — Galeria de Arte Urbana, na Calçada Glória, é uma galeria municipal ao ar livre dedicada à street art.

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