Cheguei em casa e me joguei na cama de qualquer jeito. As pernas ardendo, o rosto suado. Foi um dia produtivo.

Tirei a roupa, entrei pro banho. Senti as gotas de água escorrerem por todo meu corpo, lavando qualquer vestígio de suor e tensão. Me sequei, sequei o cabelo, escovei os dentes. Enfim, deitei.

Na cama, reflexões de todos os tipos. As redes sociais mostrando a vida como se tudo fosse bom e todos fossem felizes. Uma parte de mim quer comprar a mentira, se joga pra baixo por analisar e perceber que de todos os requisitos pra felicidade online, me encaixo em menos de 15%.

Não posso exatamente reclamar da vida. Afinal, meu trabalho é bom, minha família é querida e meus amigos, maravilhosos. Moro numa boa casa, todo dia consigo encher a barriga e ir trabalhar alimentada. Não tenho nenhuma doença grave e não passo nenhuma necessidade básica.

O que complica é na hora de deitar. Que ao mesmo tempo que tudo o que é bom se mostra presente, parte de mim quer gritar e reclamar que não. Aqueles pensamentos sufocantes do passado, que nos julgam e nos fazem pensar em tantos “e se?”.

Caminho sozinha. Sei que isso acontece porque depois de tanto tempo, finalmente me sinta preparada para andar acompanhada. Mas não sou do tipo que gosta de forçar, sei que andar junto é se entregar e então prefiro andar só do que grudada em um relacionamento sem sentimento, conexão, amor.

Aah, o amor. Quantas vezes falei que quantas vezes falei de amor. E vivo pensando sobre: “será que uma hora vai acontecer de novo?”. E de novo, “e se?”.

Sozinha na cama, com o corpo doendo e a mente chateada. Sinto falta de sentir que aqui dentro o espaço vazio está sendo ocupado. Reflito e então aceito: um dia minha vez vai chegar.

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Betina Carcuchinski

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Tem dia bom, dia ruim, dia triste, dia feliz. Tem vida, tem movimento. Teu eu- e nada mais.