Mudanças verdadeiras na busca de uma autenticidade organizacional

Por Caroline Souto

E quando as soluções antigas já não encaixam mais? - foto de Pierre Châtel-Innocenti no Unsplash

Cada geração, em seu tempo de vida, vê colocados diante de si desafios sem precedentes, para os quais deve articular novas respostas. Nós vivemos, hoje, um momento interessante em que a interconexão e a interdependência entre indivíduos, grupos sociais, organizações, governos e regiões do mundo ficam cada vez mais evidentes. Ao acompanhar as flutuações dos mercados financeiros globais, por exemplo, é difícil não pensar na Teoria do Caos, enquanto buscamos as potenciais origens da próxima crise econômica.

O encurtamento de distâncias e a dissolução de fronteiras abrem espaço para o fluxo de dados e informações, em um feed interminável de novidades que nos fixa insones diante das telas. Logo, não raras as vezes, temos dificuldade para entender de onde vêm tantas novas teorias, termos e necessidades de transformação, seja na vida pessoal ou no contexto organizacional. Fato é que vivemos uma mudança de era — e aceitar a inconstância provavelmente vai ser o caminho que dói menos.

Diante desse cenário, observamos maior pressão sobre as organizações para se posicionarem de maneira adequada no mercado — o que pode acabar parecendo uma tarefa de Sísifo, vista a velocidade da obsolescência de conceitos e metodologias. Seguindo o ímpeto de estarem alinhadas com as mais recentes buzzwords, as empresas podem saturar o discurso interno — de seja qual for o setor ou hierarquia — com esses neologismos e acrônimos: scrum, lean management, realinhamento de cultura, inovação, intraempreendedorismo, startups, fintechs, organizações exponenciais, VUCA, design thinking, horizontalidade, economia circular… Parece familiar?

Sísifo carregava seu pedregulho até o topo de uma montanha, só para vê-lo cair e ter de recomeçar a tarefa no dia seguinte, em um sobe-e-desce insuportável - foto de Simone Hutsch no Unsplash

Isso posto, vale se perguntar qual o propósito verdadeiro de agregar essas novidades ao cotidiano da empresa. Por que estamos todos correndo? E onde está a linha de chegada? Trata-se de uma vontade genuína de permanecer à frente, de um verniz para reforçar o posicionamento, de se permitir fazer parte de um mundo que se reinventa cotidianamente, ou de tudo isso ao mesmo tempo? Nem sempre compreendemos a extensão de cada palavra, quanto mais quando colocamos todas juntas na mesma frase.

Ser líder hoje é um desafio, pois é preciso dar contorno, sentido e significado a essas palavras no contexto de cada organização, tornando a transformação idealizada em realidade, um dia de cada vez.

O interessante é observar que essas mudanças surgem e de um macroambiente incontrolável e seguem uma lógica própria — e muitas vezes contraditória: na medida em que a sociedade global se seculariza, aumentam os movimentos religiosos fundamentalistas; enquanto se estabelecem novos marcos de direitos humanos a nível mundial, aumenta o número de lideranças políticas locais com pautas reacionárias; e quando mais temos acesso à tecnologia de ponta ao toque dos nossos dedos, percebemos o valor do resgate do contato genuinamente humano e natural.

Qual o equilíbrio sustentável? - foto de Zoltan Kovacs no Unsplash

Talvez, a chave esteja em alcançar algum equilíbrio autêntico (isto é, que faça sentido e seja verdadeiro para cada um) em meio a tantos paradoxos. Por exemplo, entender a importância do olhar para a eficiência da gestão — em especial nos momentos de crise — ao mesmo tempo em que também se olha para as pessoas e a forma como interagem nesses novos contextos. Para isso, precisamos de agentes de mudança dentro das empresas, profissionais que fomentem a mudança fazendo parte dela. Pessoas que mirem em algum ponto entre o ambiente interno e externo para integrar abordagens que agregam olhares diferentes, trazendo novos insights de aprendizagem para as equipes de apoio, líderes e a organização como um todo.

Nesse sentido, a busca pela autenticidade pode ser a força motriz para uma empresa guardar a sua relevância no mercado. Como sempre dizemos, na All About People, a mudança acontece quando nos tornamos quem somos. A mudança de verdade ocorre com o aprendizado constante e a integração de abordagens diferentes na construção e alcance de uma visão única. Qualquer outra coisa, só gera disputa, desgaste de energia e letargia organizacional.

Quer continuar o papo? Escreve pra gente: contato@allaboutpeople.com :)