Amor livre, monogamia e promiscuidade.

Sai de um relacionamento de 6 anos da pior forma possível, traição, brigas horrendas, uma depressão que quase me matou, depois disso usei minhas redes sociais pra desabafar sobre esse momento de dor, passei a escrever sobre relações doentias, traição, etc.
No início era minha história pessoal mas depois passei a fazer pesquisas sobre tudo que envolve essas situações, li psicologia, psicanálise, ciência, meus textos ganharam base além da vivência pessoal e passaram a ser sobre coletividade.
Meus textos incomodam, as pessoas não querem falar sobre esse assunto, ficam apavoradas só em pensar.
Minhas amigas achavam ( ainda acham ) que eu estava radical, insensível, mas eu afirmo que não, só passei a ver a vida como ela realmente é.
Apesar de acreditar nas bases científicas que dissolvem a monogamia e afirmam que é uma construção social, idealização pessoal por crenças, acho que a escolha de viver a relação monogâmica deve ser respeitada, mas os dois precisam ter certeza do que estão vivendo, acontece que essa certeza em 90% dos casos é só do lado feminino, talvez por conta do amor romântico…
Curiosamente a pessoa que é contra a traição, também perdoa quando ela acontece, isso reafirma as questões românticas de que “ quem ama perdoa “, acho incrível quem verdadeiramente consegue superar isso e perdoar, mas sempre me pergunto até onde esse perdão é real e válido.
Particularmente acho que cada vez que uma traição é perdoada, uma rede de promiscuidade é alimentada e a responsabilidade afetiva é morta, inclusive com os outros, sim, temos responsabilidade afetiva com os outros…
Por outro lado acho incrível também os conceitos do amor livre, essa desconstrução de posse, de controle. Essa idéia de pertencimento da monogamia é muito tóxica, um se tornar dono do outro, isso é simplesmente impossível, ninguém é dono de ninguém, mas é preciso responsabilidade com os outros mesmo sendo uma relação de liberdade.
Acredito que apesar da monogamia ser uma invenção, ela é o código de relacionamento da maioria, somos racionais o suficiente pra entender os limites nessas relações, somos racionais ao ponto de controlar nossos impulsos sexuais, ou seja, não cumpriu o acordo estabelecido na relação monogâmica, está comprometendo o caráter, a dignidade.
Voltando ao amor livre, só me preocupa quando pessoas promíscuas usam essa forma de relação só para usar pessoas sexualmente, tipo a mulher que cede relações extraconjugais pra satisfazer os desejos do namorado, noivo, marido…
Há pouco tempo estava conversando com uma senhora que me contou que o ex marido estava doente, que as filhas estavam cuidando dele, falou chorando e lembrando tudo que ela passou por causa das traições dele, separada há 15 anos.
Fiquei refletindo como isso causa uma ferida emocional que perdura pro resto da vida, também refleti sobre que se essa senhora tivesse uma cabeça não monogâmica, talvez tivesse sido aliviada emocionalmente…
Ela em momento algum falou sobre ele ter feito sexo com outras, mas das questões emocionais mesmo, tipo não estar presente no desenvolvimento das filhas, etc. Aqui fica claro que a traição não é sobre sexo, não é sobre o corpo, sim sobre trair os sonhos, não ser leal e cuidadoso.
A síntese de tudo isso é que a monogamia tem muita coisa tóxica, mas a liberdade também pode ter se confundida com promiscuidade, o mal maior está no sistema patriarcal que alimenta e normatiza a promíscuidade masculina, até mesmo nas crenças femininas de “ ruim com ele, pior sem ele “ , “ homem é assim mesmo “.
Maaaaas as pessoas podem se apaixonar e todos esses códigos rígidos de relacionamentos precisam ser revistos, as relações precisam ser resolvidas, uma hora elas precisam ser resolvidas…
Laylah El Ishtar -Transativista, Pesquisadora de Sexualidade, Pesquisadora de Assiriologia, Mistérios do Sagrado Feminino, Religiões Ancestrais e Danças Étnicas.
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