Notícias falsas e conteúdos inapropriados: novos desafios da comunicação digital

A cidade de Veles, na Macedônia, ganhou destaque em 2016 por ser a origem de publicações favoráveis a Donald Trump durante as eleições nos Estados Unidos. Adolescentes desta cidade ganham milhares de Euros por dia inventando histórias sensacionalistas que compartilham no Facebook e que geram dinheiro com a publicidade em seu site. Chegou-se a falar que essas notícias falsas possam ter influenciado o resultado das eleições nos EUA. No Brasil, a cidade de Poços de Caldas é origem de sites de “fake news” como o Pensa Brasil. Beto Silva e mais duas pessoas criaram uma teia de sites de direita e esquerda, buscando audiência com suas notícias sensacionalistas e mentirosas para ganhar com publicidade. Estima-se que os anúncios somente no site Pensa Brasil rendam de R$ 100 mil a R$ 150 mil por mês.

Facebook e Google, os gigantes da publicidade digital, recompensam usuários e sites que ajudem a fazer o tráfego para os seus inventários. Um tráfego que aumenta quanto mais sensacionalista a postagem, ainda que falsa. CPM (custo por mil visualizações) e CPC (custo por clique) são modalidades utilizadas para a venda de publicidade por agências especializadas ou por ferramentas como o Google AdSense. Os anunciantes escolhem o perfil de público que querem atingir, mas não o site em que a propaganda será veiculada. O atrativo para quem anuncia é a audiência. Entretanto, não há verificação sobre a credibilidade das matérias, no caso de site de notícias. Em março deste ano, uma investigação do jornal britânico The Times descobriu que anúncios de várias empresas multinacionais estavam sendo veiculados em vídeos extremistas de conteúdo político e religiosos no YouTube. O fato provocou uma crise no Google, pois a maioria dessas empresas decidiu retirar a publicidade da plataforma.

O Google tem agora dois desafios: identificar vídeos ilegais que deveriam ser removidos do YouTube e determinar quais são legais, mas não adequados para veiculação de publicidade. O Google se define como uma plataforma de tecnologia e não uma empresa de mídia, mas caso não consiga solucionar os problemas atuais, poderá ter que seguir regras, assim como os meios de comunicação tradicionais seguem. Uma das providências já tomadas é um acordo fechado recentemente com a comScore para o fornecimento de relatórios de segurança independentes em campanhas veiculadas no YouTube. Também houve aumento de revisões de processos feitos por humanos e configurações que permitem às marcas agirem com maior rapidez em casos que os anúncios apareçam vinculados a conteúdo inapropriado. O YouTube estipulou um mínimo de 10 mil visualizações em um canal para permitir vincular anúncios a seu conteúdo. Com isso, consegue-se determinar o valor de um canal e se o canal está seguindo as diretrizes e políticas de anúncios.

Um estudo do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo que foi feito com 143 editores e executivos de veículos de comunicação de vários países, inclusive do Brasil, mostrou que 70% afirmaram que a preocupação generalizada com notícias falsas vai fortalecer o jornalismo em 2017. Fontes seguras serão mais valorizadas, apesar de muitas pessoas citarem o Facebook como fonte de notícias, quando essa rede social faz somente o papel de distribuidor delas. A Wikipédia já está tomando providências para combater as notícias falsas. Jimmy Wales, fundador dessa enciclopédia online, lançou um site que reúne jornalistas profissionais e uma comunidade de voluntários para produzir reportagens. A plataforma foi batizada de Wikitribune, terá acesso gratuito, não terá propaganda e dependerá de seus leitores para financiamento. A veracidade das reportagens será garantida pela publicação da fonte.

Em 2017, o Facebook vem anunciando medidas para conter as amplificações falsas: irá usar inteligência artificial para detectar o comportamento padrão de quem participa desse tipo de ato, vai bloquear a criação de perfis e páginas dedicadas a compartilhar informações inverídicas e dar mais atenção à moderação para evitar abusos. A rede social detalha o que acredita serem os três pilares de campanhas desse tipo: coleta deliberada de dados — muitas vezes roubados ou manipulados –, criação de conteúdo e a tal amplificação falsa. É nos dois últimos pontos que a companhia terá uma atuação maior, já que, na primeira fase, muitas vezes, o ato acontece fora de seus domínios. Outras medidas já estão sendo implementadas pelo Facebook para conter o problema. Em janeiro, a rede social criou um sistema que permite a usuários denunciarem notícias consideradas falsas. Recentemente, alterou o funcionamento de seu algoritmo de organização de conteúdo para que notícias relacionadas apareçam ao lado de compartilhamentos de páginas ou amigos, facilitando a busca por mais informações e dando mais acesso a visões discordantes. O objetivo maior, segundo o Facebook, é a integridade de seus usuários. A empresa afirma que as mudanças foram aplicadas para garantir mais segurança a eles, principalmente em momentos vulneráveis como os de movimentação política ou conflitos. As novidades já estão sendo aplicadas em todo o mundo

Dicas do Facebook para seus usuários identificarem noticias falsas
  1. Seja cético com as manchetes. Notícias falsas frequentemente trazem manchetes apelativas em letras maiúsculas e com pontos de exclamação. Se alegações chocantes na manchete parecerem inacreditáveis, desconfie.
  2. Olhe atentamente para a URL. Uma URL semelhante à de outro site pode ser um sinal de alerta para notícias falsas. Muitos sites de notícias falsas imitam veículos de imprensa autênticos fazendo pequenas mudanças na URL. Você pode ir até o site para verificar e comparar a URL de veículos de imprensa estabelecidos.
  3. Investigue a fonte. Certifique-se de que a reportagem tenha sido escrita por uma fonte confiável e de boa reputação. Se a história for contada por uma organização não conhecida, verifique a seção “Sobre” do site para saber mais sobre ela.
  4. Fique atento a formatações incomuns. Muitos sites de notícias falsas contêm erros ortográficos ou apresentam layouts estranhos. Redobre a atenção na leitura se perceber esses sinais.
  5. Considere as fotos. Notícias falsas frequentemente contêm imagens ou vídeos manipulados. Algumas vezes, a foto pode ser autêntica, mas ter sido retirada do contexto. Você pode procurar a foto ou imagem para verificar de onde ela veio.
  6. Confira as datas. Notícias falsas podem conter datas que não fazem sentido ou até mesmo datas que tenham sido alteradas.
  7. Verifique as evidências. Verifique as fontes do autor da reportagem para confirmar que são confiáveis. Falta de evidências sobre os fatos ou menção a especialistas desconhecidos pode ser uma indicação de notícias falsas.
  8. Busque outras reportagens. Se nenhum outro veículo na imprensa tiver publicado uma reportagem sobre o mesmo assunto, isso pode ser um indicativo de que a história é falsa. Se a história for publicada por vários veículos confiáveis na imprensa, é mais provável que seja verdadeira.
  9. A história é uma farsa ou uma brincadeira? Algumas vezes, as notícias falsas podem ser difíceis de distinguir de um conteúdo de humor ou sátira. Verifique se a fonte é conhecida por paródias e se os detalhes da história e o tom sugerem que pode ser apenas uma brincadeira.
  10. Algumas histórias são intencionalmente falsas. Pense de forma crítica sobre as histórias lidas e compartilhe apenas as notícias que você sabe que são verossímeis.
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