Museu Nacional, entre a tragédia e o oportunismo midiático

Por Anderson Oliveira
Como que pudesse prever o futuro, o artista Negro Leo, comentou que, entre os mais de 20 milhões de itens do acervo do Museu Nacional, que foi tomado por um incêndio na noite do último domingo, dia 2 de setembro, nada sobraria além do Meteorito de Bendegó, o maior siderito achado em solo brasileiro.
“Infelizmente a única coisa que vai sobrar no museu é o meteorito de bendegó, um lance alienígena”, Negro Leo.
Pois bem, de fato foi o que ocorreu. Grande parte de nossa história, cultura e registros científicos foram perdidos com o desastre, desde fósseis de dinossauros, mamíferos extintos, fósseis de australopitecus e homo sapiens, artefatos pré-colombianos, egípcios, greco-romanos, africanos, indígenas. Mapas históricos.
Com 200 anos completos, em 6 de junho deste ano, o maior museu da história nacional, foi residência de um rei e dois imperadores, além de local no qual foi assinada nossa independência.
Mesmo com sua grande importância, sendo o maior museu de história natural do mundo, o prédio foi vítima do descaso no qual se encontra a cultura-educação-ciência, como aponta o gráfico abaixo:

Com os cortes de investimentos nessas áreas, além das políticas de austeridade que vem se acentuando nos últimos anos, desde o golpe de 2016, que destituiu a presidenta eleita Dilma Rousseff da presidência da república, o Museu passou a contar com um orçamento cada vez menor, com previsão para este ano de apenas R$ 205.821.
Como aponta o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), no período de (2002–2010), nos mandatos do ex-presidente Lula, o orçamento que era de R$ 20 milhões, saltou para R$ 216 milhões, aumento de cerca de 980%, demonstrando uma preocupação em promover uma nova política de distribuição de recursos as entidades de preservação da memória e cultura.

Imprensa e opinião pública
Após o episódio, imprensa, políticos e figuras públicas, buscaram culpabilizar a tragédia entre os gestores do Museu Nacional, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) entidade responsável pelo museu, e principalmente os governos petistas, justificando o baixo repasse de recursos em 2015, o que ocasionou no fechamento temporário do museu por falta de recursos, enquanto Dilma Rousseff era presidenta da república.
Ao contrário das afirmações, como apontou o pesquisador Fabio Malini, o fechamento se deu no dia 12 de janeiro, até aquele momento, o orçamento de 2015 não havia sido votado pelo Congresso Nacional. “O governo Dilma só podia gastar 1/8 mensalmente do orçamento previsto, sendo que o orçamento foi votado em março, três meses depois”.
Ainda, como lembrou Malini, na ocasião, o presidente do Congresso era Eduardo Cunha (MDB), que com as manobras que tinham como foco desestabilizar o governo, União, estados e municípios passaram a funcionar no vermelho.
Apesar das opiniões e o conjunto de desinformação oportunista comandada por alguns setores da mídia, é necessário assumirmos que, as políticas destinadas aos museus, patrimônios culturais e polos científicos, são pífias, necessitando maior investimento e destinação de recursos.
Enquanto a cultura segue sofrendo duros ataques no plano governamental, professores, estudantes, tentam recuperar o restos de seus objetos de pesquisa e o patrimônio do Museu. Com a perda de seu grande acervo histórico, o que fica hoje, são apenas lampejos do que foi o Museu Nacional, e o sonho da cultura-educação-ciência serem vistas enfim como prioridade nacional.
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