Noite em claro após uma maratona de suspiros dolorosos

Outro dia eu queria te ligar pra te dizer:

Cara, eu to pirando. Tenho 20 anos e não sei nada.

Sei que ele preferia ouvir um “aham” do que um sei lá, definitivamente sei lá não é dos melhores. Mas é a real! Eu não sei.

Que merda de sociedade é essa que a gente vive? A gente só sabe julgar, ao invés de seguir nosso fluxo, e sermos nós mesmos. A gente vive esses tempos líquidos, de pessoas artificiais, e totalmente plastificadas feitas para serem vitrines da vida perfeita. Que não existe. E ainda bem que descobri isso agora aos meus 20 anos, descobri que chorar é bom pra caralho, e que as vezes eu só quero alguém pra me dar um abraço e que leia meus textos e não diga nada, apenas sinta. A gente aponta o dedo na cara, é grosso, esnoba, mas por dentro somos tudo feito papel de pizza em dia de chuva.

Mas na verdade eu não te liguei, eu não te falei nada, porque sou péssima dizendo coisas, minha mente embaralha tudo e ao invés de dizer “oi tudo bem” eu digo “oitudobemeunaoseiporquetoteligandomasqueriadizerummontedebostaquepenso” e tu não entende nada, muito menos eu, e ai eu sento aqui, escrevo toda essa bosta, pra que eu consiga tirar de forma “organizada” o que está tao angustiado no meu coração.

Eu queria te ligar pra dizer:

Vem aqui, quero teu colo.

Sei que cobrei essa história de atitude esses dias, mas é que eu to aprendendo também, porque eu tenho 20 anos e não sei nada. Mas eu espero coisas das pessoas. E TIVE QUE OUVIR QUE ELE NAO ESPERA NADA DE MIM E QUE NAO VALIA A PENA. Mas quem liga? No final, é tudo uma zoeira, porque quando tu é poeta, tu é profundo, cheio de inquietações e perguntas, e não vale a pena alguém com dúvidas, quando se pode ter a plasticidade super bem resolvida no perfil ao lado.

É, eu ainda queria te ligar pra dizer:

Tudo isso que escrevo todos os dias.

Mas na verdade queria estar olhando no teu olho e dizer:

Que coragem a minha de te ver e falar na tua cara que as vezes só queria ter a mesma coragem de te ligar.

Se isso tudo fosse tão bonito quanto a luz que a gente emana (…)

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.