São Paulo e suas surpresas

Por Nayara Nascimento

Pixabay

Eram 10h30 da manhã num domingo em São Paulo, quando o jornalista decidiu conhecer melhor os lugares da cidade. Caminhando pelo centro percebeu que as ruas tinham nome de personalidades significantes na história do país, como Cásper Líbero, Quintino Bocaiúva, Líbero Badaró, etc.

A movimentação era intensa, em passos longos pessoas corriam para chegar a tempo no trabalho, outras não continham essa ansiedade por pegar seu “ganha pão” alí mesmo, na rua, mesmo obtendo riscos da polícia pegar a mercadoria.

Com a crise econômica do país, buscar novas formas de sobrevivência é melhor opção para esses cidadãos. Segundo a Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (SEADE), a quantidade de pessoas desempregadas em São Paulo é de 2,07 milhões.

Dentro do ônibus sentido Praça Princesa Isabel, abrem-se as portas traseiras e entra Rafael da Silva, 25 anos, vendedor ambulante. Diferente da maioria dos outros vendedores, os quais expõem suas vidas pessoais, ele apenas comenta sobre sua mercadoria e consegue vender 90%. O jornalista intrigado com a situação que acabou de ver questiona-o: “por que não contou sua história de vida?”

Rafael respirou profundo, mostrou-se triste com a pergunta, mas só estava lembrando de seu passado sombrio. “Não é justo tirar benefício do que fiz. Não interessa para as pessoas e nem para mim”, disse.

A partir daquele momento, o jornalista decidiu buscar novas histórias e mudou sua rota. Foi até a Avenida Paulista conhecer o programa da prefeitura chamado Ruas Abertas que tem o objetivo de oferecer mais lazer e recreação à população paulistana fechando algumas ruas como: Avenida Paulista, Rua Benedito Galvão, Avenida Luiz Gushiken, Rua Prof. Onésimo Silveira, Rua Professor Antônio de Castro Lopes, Avenida Antônio César Neto, entre outras.

No cruzamento da Rua Augusta, encontrou uma banda de rock com um vocalista de grande potência vocal levantando a galera que assistia, cantando clássicos do grupo Iron Maiden. Permaneceu por alguns minutos e seguiu. Não se passaram dois quarteirões e visualizou um aglomerado de sambistas em volta de uma roda de samba e ficou admirado com tanta diversidade em um único local, até porque, enquanto observava não só as atividades que ocorriam, o comércio de comida, roupas, acessórios também estavam presentes fazendo a felicidade de muitas pessoas.

Com tanta cultura misturada, conheceu uma senhora muito solitária. Em baixo de uma árvore se escondendo do calor escaldante de um domingo, dona Irene Soares de Souza, 71, aposentada vendia suportes para café. “Minha filha está desempregada e eu vim para ajudar. Fazem três anos que não consegue emprego, já mandou currículo até pra Lua e não aparece nada”, falou.

Quando dona Irene abaixou a cabeça ao finalizar essa frase, o jornalista concretizou que a felicidade propagada daquele momento em São Paulo era só uma ilusão da realidade de cor cinza.

O jornalista, cansado de tantas observações positivas e negativas, decidiu retornar aonde tudo começou, no centro da cidade. Entrou no metrô Trianon-MASP, desceu na estação Paraíso e fez transferência para linha azul do metrô. Parou na estação São Bento e caminhou até aparecer mais uma surpresa no seu dia, um baile de forró bem ali na praça São bento.

O ambiente propício para uso de drogas em dias normais, era naquele instante uma propagação da cultura nordestina, fazendo a alegria de quem não conhecia e de quem era adepto. Conversou com um dos idealizadores do evento, Michael Batista, 32, e descobriu que uma ocupação do espaço público tem duração de apenas quatro horas. “A prefeitura pode vir interromper, mas estamos procurando o alvará para não ter tempo ruim”. afirmou.

O jornalista depois de tantas descobertas, permaneceu ali admirando o evento, e até chegou a arriscar alguns passos de forró.

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