Interjeição Supermercado

— Olá, tudo bem?

Opa! Vou bem, e você?


Dia desses, aproveitei a ida do pai ao supermercado para pegar carona e ir ao banco pagar algumas contas. Serviço realizado, fui me encontrar com ele e esperar que acabasse seus afazeres antes de retornar para casa.

Perambulando pelos amplos corredores do supermercado onde meu pai estava, procurando por ele, acabei me distraindo com o formato fluido e arredondado dos potes de cappuccino e com tantos sabores nunca dantes experimentados. Quando me dei conta de que ele poderia ir embora e me deixar pra trás achando que eu já tivesse tomado rumo, retomei a busca pelo homem em meia idade e com entradas de careca.

Curvando o corredor dos achocolatados, avistei-o de costas pra mim. Olhava para a Lista com certo zelo, como se conferindo pela terceira vez se era aquele mesmo o item desejado.

Pegou uma caixinha vermelha de nome santo na prateleira e, antes que a pusesse no carrinho, um pacote plástico amarronzado saiu pelos fundos (da caixa) e espatifou-se no chão, com o típico barulho.

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A expressão de surpresa do meu pai foi impagável. Paralisado por alguns segundos diante da inesperada situação, abaixou e recolheu o pacote, colocando-o de volta na prateleira e pegando com cuidado outra caixa por baixo, certificando-se de essa que não estivesse aberta.

Logo percebeu a minha presença: eu ria alto da peça que o acaso o pregou.

E segue a vida.

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