Pra daqui a dez anos

Conversando com uma grande amiga sobre as conturbações atuais, os embananamentos políticos, sociais, econômicos e tantos outros, veio à tona certo questionamento, meio que de surpresa:

Quais são as minhas expectativas para o país pra daqui a 10 anos?

Em primeiro lugar, quem sou eu? Ninguém. Meus dois centavos a respeito pouco importam e não terão peso algum para mudar o futuro em grande escala, até onde imagino. Por mais que não pareça, sou adepto do “A união faz a força”, uma ideologia pouco funcional em tempos de desunião e desconfiança. Acabo desrespeitando a minha própria utopia por medo ou falta de esperança.

Em segundo lugar, é difícil falar de futuro sem antes estabelecer uma base do presente sobre a qual caminhar para uma predição, aposta ou mero chute para o cenário do Brasil em 2026.

Hoje, a economia dá sinais de cansaço. O endividamento tomou conta da praça e, por isso, a fluidez da economia tem aspecto de melaço. A educação anda sucateada, apesar de reportagens do país que dá certo: exceções. Antes fossem as regras, aliás.

Basta entrar em qualquer página mais famosa do Facebook para ver como a brutalidade tomou conta do povo como um todo que, cansado de apanhar do Estado, agora encontra nas caixas de comentários, vídeos reivindicativos e discussões familiares um lugar para devolver a surra acumulada de impostos em palavras de ódio e intolerância ao próximo. O CAPS LOCK é ativado por qualquer razão. O pavio encurtou-se de forma generalizada. Todos se encontram na posse da Razão absoluta e unânime.

Fonte: XKCD

Tradução:
 — Mô, tá tarde. Vem pra cama, vem?
 — Não posso, amor. Isso aqui é importante. Só mais um minutinho.
 — O que você tanto digita aí? É trabalho em pleno fim de semana? Você precisa conversar com seu chefe sobre limites… Ninguém é de ferro. Vem cá, tô te esperando!
 — Calma, coração. Não é isso. É que alguém está
errado na internet.

Essa tirinha do XKCD ilustra bem o espírito atual. Quem é que nunca perdeu alguns minutos discutindo com alguém(muitas vezes desconhecido) a respeito de um assunto besta? Se você não se lembra de ter feito isso, eis uma prova da importância dessas discussões para a sociedade: quase nenhuma.

São raras as vezes em que ambos os debatentes estão dispostos a refletir e mudar de opinião, menores ainda as mudanças sólidas. A convulsão de achismos só piora tudo. O termo ‘discussão’ ganhou, inclusive, tom negativo. A boa conversa da roda de amigos tomou seu lugar.

Será que, num cenário ainda mais pessimista, a palavra ‘conversa’ se tornará sinônimo de pancadaria?

Até perdi a vontade de folhear as páginas brancas do futuro. Por favor, tenham cautela ao manusear a caneta que rabiscará essas laudas com cheiro de novas: não há corretivo.


Pra daqui a dez anos?
Alemanha, pura, e límpida e… às margens do Reno.

:-/

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