As cores de um daltônico.

Somos todos vazios e escuros. Sem forma. Sem cor. Até que abrimos os olhos e descobrimos que somos mais. Somos humanos. Somos como o ruivo que nos ensinou as cores.

Estive desesperado por aquela Noite Estrelada de primavera.

Extasiado com a ideia do cheiro suave de uma Amendoeira em Flor que pode vir a espreitar em cada esquina. Em cada corpo. Em cada Auto-Retrato. Em cada suor. Em cada orvalho. Em cada entardecer. Em uma Casa Amarela. Em cada você.

Acorde-me desta hibernação que tomou conta dos dias. Leve-me para vivenciar à Vista da Praia de Scheveningen. Me compre a primeira felicidade que encontrar. Mesmo que seja um quadro branco. Ensine-me a refletir nas boas ações antes que o ruim se torne tão comum que eu faça-o de vestimenta em um Quarto em Arles.

Sinto minha frequência cardíaca diminuindo subitamente. Talvez seja a Tristeza. Os dedos formigando como flores que caem ao fim de um Pôr do Sol em Montmajour.

A vida que acaba é apenas uma fração de tudo o que existe. É como uma velha com uma bela Memória de um Jardim em Etten.

Você choraminga quando torna-se um Homem Velho com a Cabeça em suas Mãos? Sinto-me risonho ao responder tal questionamento, sinto-me pintando o Campo de trigo com ciprestes. Ora, minhas lágrimas possuem os mesmos motivos que as tuas, choro enquanto vivo. Vivo enquanto o ar entra em meus pulmões. Isso faz de mim mais um entre Os Girassóis.