Breve relato sobre sua avassaladora presença

Lembro de já ter descrito teu cheiro de diversas formas diferentes, você vive mudando de corpo também, por isto as dezenas de descrições diferentes.

Hoje tentarei, de forma gradativa, porém, enfatizadora, destrinchar a sensação aterrorizante que sinto ao sentir-me aproximando meus sentidos aos cheiros que emanam de ti.

Você me parece como uma droga pesada, não o tipo de droga que os jovens vivem lendo sentados em seus sofás como as fases da lua, ou os tons de certas cores mais escuras, ao invés disto, sua presença tem um cheio viciante como uma pequena plantação de capim-santo, ou o vinho seco que insiste em permear as noites de leitura dos grandes pensadores como Platão, Étienne de La Boétie, Immanuel Kant, Frédéric Bastiat, Eugen von Böhm-Bawerk, Roger Scuton, Eric Voegelin e, não menos importante, Ayn Rand.

Consegue entender como é difícil racionalizar as vontades avassaladoras que tendem a sempre serem maiores que nós? É extremamente difícil manter uma ética racional ao estar totalmente dopado com doses de você. E minha vontade de devorar teu ser mortal é extremamente egoísta, me causando uma revolta muito maior que o próprio atlas.

Tal objetivo não poderia passar despercebido dos olhares atentos da auto-crítica do juízo. Sejamos capazes de deixar a humanidade de lado por alguns momentos. Sejamos capazes de determinar um ponto específico em nossa servidão, melhor digerindo esta afirmação; minha servidão ao teu cheiro me obriga ao teu encontro.

Talvez tenhamos que parar com a dialética e aceitarmos o fato que a verdade é imutável. Que a beleza é a busca verdadeira de todas as coisas existentes, tanto em plano terreno, quanto em plano divino, e você é a perfeita estética que se pronuncia desde o firmamento.

Não rejeite a lógica, ela é a unica coisa que sustenta os argumentos do meu profundo sentimento por ti. Não confunda o transcendente com os sentimentos mundanos que nos ensinaram. Nada nesta vida é possuidora de tamanha clareza quanto o teu cheiro de amor virgem, imaculado.

Nada.

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