Pertencimento incansável

Cesar Augusto
Jun 22, 2018 · 2 min read
pixabay.com

Não se assuste, as palavras neste desabafo foram escritas entre as bebidas e cigarros que foram permitidos com sua chegada que nunca ousou pousar. São minhas essas sentenças, elas não são abrasadoras, eu sei, mas são o que posso te oferecer neste triste meio que nunca ousa chegar no seu propósito final.

Estou absolvendo a culpa.
Uma disrupção do propósito que me dispus a compartilhar contigo.
Você é essa ideia poderosa que vaga incansavelmente em minha mente, causando-me faíscas, estaticidade.

Você não pertence a este mundo, tua dilatação é uma incurável forma de denegrir os contatos, as formas, os discursos. Meus discursos são sempre, ou quase sempre, repetitivos.
Ouço uma voz a branir dentro de mim, ela diz:

Você não me pertence.

Ambos concordamos que esse ideal de pertencimento ao meio só se faz necessário em uma troca osmótica, o que não ocorre quando colocamos a disposição nosso elo mais fraco, nossa ganância, nossos sonhos, nossos muros esperando por acabamento.

Gostaria que fosse capaz de se encantar por ti através da minha perspectiva, denotaria que o mundo é este precipício com fama de céu: tudo que emana de ti é avidez, febre, apego e apetite, sem chance de exoneração.

Uma diluição das certeiras coesões, necessitamos disto.

Estou convencido que ninguém é capaz de olhar para dentro de você e enxergar este suor adentrando tua alma. Esta insegurança sobre os passos que devem ser dados.
Todos apenas te veem em sua melhor forma, ganhando, ou na sua pior, sendo destroçada pela vida. Ninguém se esforça para vislumbrar a tua transição entre teu desacertado e ajustamento.

Não que precise de esforço para te acompanhar com os olhos, ouvidos, poderia dizer que o cheiro, mas não esqueça que você é o ideal. É algo que os reis colocariam seus exércitos em marcha para ter. É um santo graal.

Fora que existem borboletas em teu olhar. Uma frase meio acabada, ameaço dedilhar suas entranhas mais amáveis, sentindo-me obrigado a confessar que cada voz emitida em teu olhar é uma constelação de prazeres mundanos e divinos, todos convergindo ao senso comum do meu interior.

E em meu interior não consigo persuadir nada ou ninguém, você está lá me lembrando do pertencimento a outrem. Alguém que conhece teu cheiro e admira, não apenas o aparelhamento dele em memórias juvenis.

Não posso negar que nada disto é realmente culpa, não sinto culpa por não ser capaz de te sentir, assim sou capaz de manter intacta esta visão compassiva de tua melhor parte, mesmo com todo o pragmatismo contigo neste discurso.

Você é este desejo egrégio.

É bem quisto a tua assiduidade aqui, porém, não posso negar, mesmo que incansavelmente eu tente, que a esperança da tua presença é mais benéfica que a presença da maioria que me circula.

Cesar Augusto

Cuidado! Palavras são caos e desejos.

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