Como os brasileiros estão consumindo entretenimento e mídia?

Por Kadydja Albuquerque*

De acordo com a 18ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia da PwC, em 2016 foram gastos cerca de U$ 2 trilhões de dólares no setor nos 54 países pesquisados pela firma global. Os Estados Unidos e a China estão no topo do ranking, mas o Brasil vem logo atrás, no Top 10, com o 9º lugar, revelando um consumo de U$ 35 bilhões de dólares.

Apesar de parecer uma quantia significativa, esse valor de consumo no Brasil ficou U$ 3 bilhões abaixo do projetado para o ano. Espera-se que, em cinco anos, o mercado de entretenimento e mídia no país chegue a U$ 44 bilhões de dólares.

A 18ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2017–2021 da PwC apresenta dados de 17 segmentos, incluindo projeções para os próximos cinco anos. As informações são divididas em três visões: gastos do consumidor com entretenimento e mídia; gastos com acesso à internet; e gastos do anunciante com a publicidade.

Vamos conferir alguns dos dados divulgados pela pesquisa?

Crescimento do consumo de dados móveis

O Brasil está cada vez mais conectado e é urgente que as empresas pensem em como a sua presença online pode ser qualificada. Um dos destaques desta edição foi o crescimento do consumo de dados para assistir a vídeos em smartphones. A pesquisa também revelou que o brasileiro prefere ler notícias gratuitas em mídias sociais. Além disso, não está disposto a pagar por conteúdo online, como música e vídeo em streaming.

Dados importantes: espera-se que, em 2021, 177 milhões de pessoas sejam assinantes de internet móvel.

O total de dados consumidos no Brasil ultrapassará 42 trilhões de megabytes até 2021, um crescimento de 23% ao ano até 2021. Isso coloca o Brasil à frente de qualquer país da Europa Ocidental em termos de tráfego de dados total consumidos, embora ainda fique atrás da China, Japão, Coréia do Sul, Rússia e EUA.

Como estão as suas estratégias de divulgação para esse modelo de acesso?

Continua a redução do segmento da mídia impressa

A pesquisa traz uma pergunta: o futuro do impresso é digital? Sabemos que o impresso não deve acabar, mas redefinir a sua importância e sua forma de atuação diante de um cenário em transformação. Esse tipo de informação é importante para as empresas que realizam campanhas publicitárias e possuem estratégias de assessoria de imprensa.

Onde estão os olhos do público? Quais são as mídias mais acessadas hoje? Qualquer estratégia de comunicação fica anacrônica se essas (e outras) perguntas não são levadas em consideração.

O estudo revela que o consumo de jornais é o que mostra maior resiliência ante a transformação digital. O mercado de quase US$1,5 bilhão em 2016, deverá reduzir a uma média de 0,3% ao ano até 2021. As assinaturas digitais estão crescendo; porém, não ultrapassarão 5% do total das receitas de consumo deste segmento.

Revista é o segmento que apresentará maior queda de consumo: 3% ao ano até 2021, reduzindo de US$602 milhões em 2016 para US$526 milhões em 2021. Comparando com outros segmentos, o brasileiro irá gastar mais com o consumo de música do que com a compra de revistas.

Foco na experiência

A pesquisa revela que as empresas de entretenimento e mídia devem ir além do conteúdo e da distribuição, e se concentrar na experiência do consumidor, ou seja, é necessário utilizar a tecnologia e a análise de dados para entender os desejos dos consumidores.

A orientação em torno dos usuários premium — aqueles que advogam pela marca — possibilita desenvolver competências-chave que ajudem a empresa a operar com maior flexibilidade e agilidade em relação a conteúdo, distribuição e experiência do consumidor. A PwC sugere que os negócios de entretenimento & mídia devem se concentrar em cinco estratégias: visão do usuário / fã, conteúdo, experiências, distribuição, monetização e operações.

A Era do Vídeo na Internet

Uma pesquisa recente da Cisco revelou que, em 2019, 80% do tráfego na Internet será por vídeo. Vivemos na era em que este formato é, definitivamente, um dos mais populares. A pesquisa da PwC mostra que a forma como as pessoas assistem a vídeos não é a mesma de antes. Os telespectadores estão em busca de um conteúdo customizado e que esteja acessível em qualquer lugar, a qualquer momento.

Um segmento que vem crescendo no Brasil é o de vídeo na internet — OTT (over the top). Deve crescer 9% ao ano até 2021, chegando a US$276 milhões. Empresas como a Netflix e Amazon estão investindo em um conteúdo regionalizado, produções originais, exclusivo para as plataformas digitais e compatível com diversos dispositivos móveis.

Já pensou em anunciar nas telas de cinema? Os gastos com bilheteria de cinema devem chegar no Brasil a US$ 1 bilhão em 2021. As produções de filmes locais tiveram um bom desempenho em 2016, principalmente os títulos de comédia.

Empresas ainda preferem a publicidade tradicional

Em 2016, foram gastos US$10 bilhões com publicidade no Brasil. Com crescimento médio anual de 5,5% ao ano, espera-se que chegue a US$13 bilhões em 2021. A crescente demanda por novas mídias está direcionando a atenção dos anunciantes para as plataformas digitais, que permitem uma melhor segmentação do mercado e o anúncio direcionado com o uso dos dados.

No entanto, existem alguns desafios para a publicidade digital. A pesquisa revelou que o consumidor se incomoda com a exposição exagerada de anúncios, imagens e vídeo de carregamento lento, além do receio com invasão de privacidade e o uso indevido dos seus dados pessoais. Quase 50% dos brasileiros que participaram da pesquisa consideram a publicidade em vídeo com a opção de pular o anúncio um tipo positivo de publicidade.

Já o anunciante questiona a adoção crescente de bloqueadores de anúncio (Ad Blocker), a baixa confiança na transparência e a eficácia das campanhas online. Por esses motivos, anunciantes estão preferindo os veículos tradicionais que eles já conhecem — a TV aberta leva a fatia de 47% do total da publicidade no país em 2016. Em 2021, deve chegar a US$5,9 bilhões.

Mas será que não estão indo na contramão do modelo de consumo do seu público? Os segmentos que devem apresentar maiores perdas de receita de publicidade nos próximos cinco anos são tradicionais: revista (-5% ao ano) e jornal (-3% ao ano). O rádio deverá ter um crescimento inferior a 1% ao ano.

Mas, de que forma esses dados podem ajudar no seu negócio? De várias maneiras, e a mais importante é entender quais são as mudanças nos hábitos dos consumidores. Como eles estão consumindo entretenimento, mídia e dados de internet? Essas informações podem ajudar o empresário a entender quais são os melhores canais de divulgação do seu produto.

Para acessar detalhes da pesquisa, clicar aqui.

Kadydja Albuquerque é especialista em Gestão da Comunicação nas Organizações e sócia do Conversa Coletivo de Comunicação Criativa.

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