Tempos digitais: repensando o ‘beabá’ da Assessoria de Imprensa

Por Kadydja Albuquerque

Em 1948, Harold Lasswell propôs um modelo comunicacional composto por emissor, mensagem, canal, receptor e contexto. Lasswell questionava a Teoria Hipodérmica, que apontava dois atores, um em cada ponta do processo; um exercendo o poder de influenciar o outro. Era preciso analisar também o contexto no qual aquela mensagem era inserida.

Com o surgimento da Internet, estes modelos, que já haviam sido questionados nas teorias da comunicação seguintes, não encontraram eco no ambiente digital. As redes sociais acentuaram esta nova configuração das relações entre emissor e receptor no processo comunicacional: não há mais uma distinção clara entre eles. Hoje, ao mesmo tempo em que uma pessoa precisa lidar com a avalanche de informações que surgem diariamente na Internet (receptor); ela encontra, nas redes sociais, o canal para contribuir com esse volume informacional (emissor).

Este novo cenário reconfigurou o fazer jornalístico em todas as suas áreas. Os jornalistas dos veículos de comunicação passam a considerar a voz das timelines como uma grande arena de discussão dos temas com maior apelo informacional; à grande imprensa também não cabe mais a prerrogativa do furo jornalístico — qualquer cidadão, com tecnologia ao alcance, pode noticiar um fato em segundos; surge um novo critério de noticiabilidade que redesenha o formato de apresentação das notícias — a viralidade.

Se antes as reportagens especiais de um veículo enchiam os olhos do leitor, hoje a ordem do dia é apresentar o texto em listas, tópicos e, se possível, acompanhados de imagens animadas (gifs) e estáticas com texto (memes) ou vídeos. O formato multimídia e, de preferência colaborativo (construído com recortes de outros sites e postagens nas redes sociais), é um dos principais fatores que garante à notícia, hoje, uma chance de se destacar no mar de informações.

E como ficam os assessores de imprensa no meio de todas essas mudanças?

O surgimento das redes sociais também provocou mudanças na rotina dos profissionais que precisam, diariamente, executar estratégias de comunicação para que seus clientes tenham espaço na imprensa, mas também, nas timelines do seu público. As redes sociais trouxeram complexidade aos caminhos informacionais, e o assessor lida com o desafio de desenvolver novos métodos para conquistar o espaço progressivamente escasso na imprensa, com o fechamento de veículos, a diminuição de páginas das publicações e o noticiário cada vez mais pautado pelas timelines. Surge, então, a discussão sobre Assessoria de Imprensa Digital, acompanhando a evolução da Web 2.0, com o foco da informação no consumidor.

O termo “assessor de imprensa” torna-se limitador para as novas atribuições deste profissional. No processo de digitalização da AI, o assessor de imprensa navega por outras áreas deprodução de conteúdo e relacionamento com seu público, hoje mais amplo do que os jornalistas de redação.

Em uma estrutura organizacional ideal, a assessoria de imprensa trabalha integrada com os departamentos de Marketing, Publicidade e Propaganda, e RP, sob a base de um novo conjunto de práticas: a comunicação digital. Marketing de Conteúdo, produção de conteúdo jornalístico para as redes sociais da empresa, relacionamento com a imprensa via whatsapp, entrevistas por meio de ambientes de hangout, identificação e relacionamento com gatewatchers (pessoas nas redes com alto poder de influenciar o compartilhamento de conteúdo), gerenciamento de crises nas redes sociais, monitoramento e avaliação desses espaços são alguns dos novos processos incorporados à rotina do assessor de imprensa.

Somados a todas estas atividades, estão ainda a importância crescente do aparecimento do cliente em sites relevantes como portais e blogs de grande audiência, e o número de compartilhamento de informações acerca desse cliente na Internet, para que ele conquiste um bom posicionamento nos buscadores a exemplo do Google. À primeira vista, esta técnica, denominada link building, parece ser uma atribuição apenas da área de SEO (Search Engine Optimization), mas está totalmente ligada à produção de conteúdo e estratégia de divulgação do cliente no ciberespaço. Portanto, mais uma atribuição da assessoria de imprensa.

Uma assessoria “moderna” precisa considerar as mudanças na rotina produtiva dos veículos de comunicação, mas também atentar para o surgimento de novos produtores de notícias, sejam jornalistas ou não. Uma parcela desses produtores pode ser chamada de “usuário-mídia” ou “gatewatchers” — formadores de opinião online, empoderados pela tecnologia e que demandam das organizações um relacionamento novo com seus públicos.

Repito: hoje, a comunicação integrada tem o tripé complementado pela comunicação digital. Em tempos de crise econômica, o modelo convencional já não garante os melhores resultados de comunicação para o cliente. É preciso ser criativo e atento às novas tendências. Por outro lado, um aspecto relevante surge com estes novos desafios: a Era Digital trouxe novos espaços para serem trabalhados pelo assessor de imprensa e, com o conteúdo correto, é possível levar informação sobre o cliente para mais pessoas, em tempo real e com maior índice de engajamento do público.