“Eu não peço dinheiro, eu peço comida. Eu preciso comer.”

Observando as pessoas nas ruas, me peguei pensando como pode existir tanta gente que mora na rua.
Como pode existir pessoas tão pobres de dinheiro.
Como pode existir tanta gente que não tem o que comer. Como isso aconteceu?
O que fizemos e o que fazemos para que tanta gente sofra?

Adriana Schmitt não tem nada.
Ela pesa 24 kg e não tem casa. Nem comida.
Ela tem tuberculose e depressão.
Ela tem também remédios de graça e uma ajuda do Bolsa Família.
“Quero que tu escreva: Deus em primeiro lugar. Só isso.”

Adriana vive na rua e pede ajuda para se alimentar. Foto: Bruna Fernandes

Passa as noites dormindo nas cadeiras da recepção do Hospital de Clínicas, em Porto Alegre.
Toda vez que recebe ajuda, seja dinheiro ou restos de comida, ela levanta suas mãos pro céu e agradece.

“Quando o dia é abençoado, eu consigo 20 reais para passar o dia. Não adianta amar Deus se tu não amar o próximo.”

Faz 3 anos que Adriana vive com suas doenças e na rua.
Adriana morava em Santa Cruz do Sul e quando voltou para Porto Alegre ela morou em uma região de invasão. Então, os proprietários colocaram fogo nas casas e ela entrou em depressão por não ter mais onde morar. 
Ela tem quatro filhos que moram em Santa Cruz do Sul, mas não sabem sobre a sua situação e Adriana não quer que eles saibam.

“Tentei me matar centenas de vezes e sofri muitas agressões na rua.”
Adriana não quis mais comentar sobre as agressões, eu também não perguntei mais. Ela parecia com medo. Parecia lembrar do que já aconteceu com ela e aquilo me fez muito mal.
“Eu não tenho amigos. Eu tenho Deus.”

Adriana não participa de nenhuma religião e não vai em nenhuma igreja. 
“Leio a Bíblia todos os dias e Ele é meu Pastor e nada me faltará. Eu não vou em igreja porque eles só querem dinheiro.”

Quando fui me despedir disse que ela era uma mulher incrível e desejei muita força pra ela. Quando eu puder e tiver como, levarei alguma comida e água durante a semana. Eu sei que não tenho muito, mas ela não tem nada. Já parou pra pensar nisso?

Sentada em frente de uma loja, segurando uma pequena placa e panfletos, Adriana não me deixou tirar foto do seu rosto. Mas se você quer ajudar ou encontrar com ela, ela fica na esquina com a Av. Osvaldo Aranha e rua Ramiro Barcelos (rua do Hospital de Clínicas), em Porto Alegre.

Ajudem as pessoas que sentem fome. Olhem mais para as pessoas.