Tá passando na tv aquele filme de suspense que você queria que eu visse. Eu que abandonei a tv, que abandonei o suspense. É que já são tantos os medos da vida e dessa vez você não vai me puxar pra junto do teu peito e fazer aquele cafuné que sem dizer nada diz que vai ficar tudo bem.

Me perguntei se você também lembra dos livros que eu queria que você lesse, se eles agora faziam poeira na sua estante ou serviam de apoio praquela mesa de cabeceira que nunca esteve muito segura, assim como eu.

Nesse tempo eu batizei uma ou duas ruas da cidade com o teu nome, com exceção da sua que tem o dia do meu aniversário. É que quando eu sigo esse caminho me bate logo aquele mesmo aperto no peito e que agora não vai passar quando você abrir a porta.

Então eu espero um sinal verde e me pergunto quando chega a hora de atravessar até você e te alcançar, se nossas estradas ainda correm em paralelo ou se a teimosia do destino ainda há de nos fazer cruzamento.

Faço planos que não te incluem mais: me mudar pra São Paulo, comprar um nebulizador, aumentar a estante de livros e o número de gatos. Preencher os espaços. Mas não deixo de pensar no presente que te comprei e nunca entreguei, na camiseta que você usou e eu nunca mais tive coragem de vestir, mas nem tem mais o seu cheiro; foi apagado pelo rastro do tempo assim como eu fiz com as fotos que tirei e agora vão sumindo até da minha memória.

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