Vermelho 1: Silêncio

Eu já podia sentir o gosto do silêncio sendo quebrado após dias, uma semana, com uma palavra de contraversão. Uma palavra simples, uma ou duas. Um “bom dia”, delicado, mas, suficientemente, perspicaz para acabar com ironia a beleza das regras que criamos no silêncio dos dias. Estava certo que a nossa matéria sabia gerar por igual a quantidade de tempo, e logo de espaço, de qual nós deveríamos nos permanecer calados. Porém, o que me encantava em você era, justamente, o modo de desencantar a minha previsão sobre as ironias. Os meus órgãos tremiam, pedindo que minha garganta agisse, que meus dedos lhe entregassem algum tipo de mensagem, de sinal. Todavia, o corpo todo se excitava dentro desta espera, querendo permanecer ali, no silêncio, na iminência de fazer algum tipo de caos nascer a partir da ação. E você vinha, sendo o sarcasmo da minha ironia, negando todo o nosso jogo, quebrando todas as nossas regras. Você não era expulso, exilado, descartado, punido, porque, diferente dos outros jogadores, cansados, o jogo passou a ser você, a apropriar-se de si. Nem eu tinha poder sobre o jogo. Ele, livre, resolveu te escolher.

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