100 anos para integrar?

Inspirados pela Conferência do The Future Lab em Londres no dia 12 de março, refletimos sobre o tema “The Age of The Long Near”. Uma macrotendência que trata de um cenário onde as pessoas que nascerão nos próximos anos, viverão mais de 100 anos.

Essa é uma reflexão que exige a atenção de todos, pois afeta diretamente as relações humanas e o planeta, consequentemente o mercado e as marcas. Um tema que escolhemos trazer à luz para diagnosticar possíveis impactos dessa mudança e assim co.criar novos rumos para o futuro com todos que se interessarem.

Nós somos passageiros do futuro ou criadores do futuro? Chris Sanderson

Mais do que nunca, vivemos imersos na cultura do short-term thinking. A informação e o conhecimento são consumidos de acordo com as regras da internet. Nas empresas, os bônus vêm anualmente. Produtos são lançados e em questão de dias já se tornam obsoletos. Inúmeras categorias têm seus modelos de negócio hackeados, transformando continuamente nossa relação com serviços que otimizam nosso tempo.

“Não podemos resolver problemas com o mesmo pensamento que criou estes problemas.” Albert Einstein

A tendência Whole-system thinking, reflete uma necessidade global: uma abordagem que vai além da sustentabilidade, desenvolvendo produtos e serviços em que a inovação tecnológica e a natureza são integradas resultando em soluções híbridas.

A maioria dos problemas que enfrentamos representa um conjunto de componentes inter-relacionados em sistemas amplos e mais complexos. Estes problemas não podem ser resolvidos de forma isolada, ignorando seu impacto sobre o resto do sistema. A tentativa de criar soluções isoladas só leva a mais problemas em outros lugares.

“A terra deve ser visto como um sistema vivo.” Joanna Macy

É inegável que o impacto humano sobre a natureza tem sido quase irreparável, mas também não podemos colocá-la em posição de frágil, intocável, que precisa de proteção. A natureza se regenera, se auto-recicla e se propaga, mesmo com tantas intervenções. Ela pode ser fonte de admiração e inspiração para modelos de vida, de negócio, de pensamento através da bio-empatia.

Isso significa que os avanços da tecnologia e biologia estarão cada vez mais interligados. Veremos emergir devices biológicos, produtos que usam componentes orgânicos e processos que simulam o metabolismo, assim como Ambio, uma lâmpada que utiliza bactérias bio-luminescentes para gerar luz. Prevê-se que a bio-tecnologia e bio-engenharia terão um novo papel: integrar o consumismo com o meio ambiente.

Iniciamos uma era para se pensar de maneira holística e integrada sobre a natureza, o ser humano e a tecnologia, transcendendo o ambientalismo como conhecemos. Chegou a hora de pensarmos em ciclos de séculos. Ou vamos esperar mais 100 anos para começar?

“Se a primeira revolução foi sobre indústrias e a segunda sobre informação, não é estimulante pensar que a terceira será sobre a vida? Nina Tandon — EpiBone