Já ouviste aquele dito que reza “cada povo tem o governo que merece”?

Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa (1865–1942) Imagem: Wikipédia

Epitácio em Versalhes

Se Paris já não fosse uma festa, teria se transformado em uma quando, em fevereiro de 1919, uma enorme delegação do Brasil desembarcou na capital francesa com todas as despesas pagas pelo Tesouro Nacional.

Encerrada a I Guerra, após o pedido de armistício feito pela Alemanha, as 32 nações envolvidas no conflito se reuniram para a Conferência de Paz de Paris — na qual, em 28 de junho de 1919, no salão dos Espelhos, foi assinado o Tratados de Versalhes.

Palácio de Versalhes — Salão dos Espelhos (Imagem: Internet)

O Brasil, incluído com outros 23 países no grupo de “potências com interesses especiais” — do qual também faziam parte Libéria, Haiti e Sião — , enviou à conferência dez delegados oficiais, sob a chefia de Epitácio Pessoa.

Junto com os juristas e representantes oficiais do país, porém, seguiram seus familiares, assessores, convidados e acompanhantes em tal número que o navio que zarpou do Rio de Janeiro, no dia 2 de janeiro de 1919, partiu quase lotado.

Menos mal que, nas negociações, o país se saiu bem: dos 440 artigos do tratado, dois deles se referiam especificamente a interesses brasileiros. No primeiro, a Alemanha era obrigada a pagar 125 milhões de marcos pelas 1,85 milhão de sacas de café que tinha destruído ao atacar navios brasileiros, e a devolver as sacas que haviam sido estocadas em Berlim durante a sua “valorização” de 1906. No outro, foi concedido ao Brasil o direito de pagar com preços “antigos” — portanto mais baixos — os 70 navios alemães que o país havia confiscado em seus portos.

Imagem: www.histoire-imagem.org

Ao retornar da França com seu “navio da alegria”, em julho de 1919, Epitácio Pessoa, que deixara o país como senador, descobriu que era o novo presidente do Brasil. Os fatos que o tinham conduzido ao cargo retrocediam à sucessão de Venceslau Brás. (…)

Após várias reviravoltas, as oligarquias e feudos políticos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul chegaram a um candidato de consenso: o velho conselheiro do império Rodrigues Alves, então com 70 anos Concorrendo sozinho, Alves foi eleito em março de 1918, mas não pode tomar posse em 15 de novembro. Acometido pela “gripe espanhola”, morreu em janeiro de 1919. Em seu lugar, assumiu o vice Delfim Moreira.

Venceslau Brás declarando guerra à Alemanha, com Nilo Peçanha (em pé) e Delfim Moreira (sentado) Imagem :brasilescola.uol.com.br

Como a Constituição previa novas eleições em caso de morte ou renúncia do presidente antes de completada a metade do mandato — e como dessa vez não havia marechais de ferro por perto — , Delfim Moreira ficou no poder até julho de 1919, quando se realizaram novas eleições. Embora o eterno candidato Rui Barbosa lançasse mais uma vez sua candidatura, atacando arranjos oligárquicos e mesquinharias políticas, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul decidiram apoiar o nome de Epitácio Pessoa.

Apesar de estar ausente do país, seus aliados no Brasil alardearam os supostos “esplendores” de seu desempenho diplomático em Versalhes.

E Pessoa ganhou fácil a eleição.

O presidente paraibano Epitácio Pessoa (1919–1922) Imagem: pt.wikipedia.org

Da obra: Brasil Uma História — Cinco Séculos de um País em Construção Autor: Eduardo Bueno — Editora LeYa