“Os campos são mais verdes no dizer-se do que no seu verdor” — F. Pessoa

O Pindorama, depois de seu alvorecer globalizado já como Ilha de Vera Cruz, por não ser amado de princípio somente pelo seu esplendor e cerne dadivoso, sempre será tratado por quase todos os que nele viveram - e vivem - como o paraíso inesgotável do extrativismo.

E ainda na atualidade…

O Dono da Colônia

Durante dez anos o Brasil teve um dono. Ao fechar um contrato de exclusividade para exploração do pau-brasil, em 1502, o cristão-novo Fernão de Noronha arrendou a Colônia por três anos à frente de um consórcio de judeus conversos.

O acordo teria sido renovado em três ocasiões. As obrigações do cartel eram:

Explorar o pau-brasil, defender a terra contra a cobiça, já viva, de espanhóis e franceses, estabelecer um feitoria, explorar 900 léguas (5,9 mil quilômetros) de litoral e pagar 1 quinto dos lucros à Coroa.

Em 1503, Noronha armou sua primeira expedição, descobriu a ilha que hoje tem o seu nome e iniciou a exploração do “pau de tinta”.

Noronha, ou Loronha, agente dos judeus alemães Függer, era um armador nascido em Astúrias, na Espanha, que enviava frotas à Índia e possuía uma rede de negócios, com sede em Londres.

Acima, o brasão de armas de Fernão de Loronha, hoje conhecido como Fernando de Noronha, primeiro donatário da ilha que leva seu nome e a primeira (e única) capitania hereditária a ser doada pelo rei Don Manuel no Brasil. As demais capitanias foram doadas em 1532 por Don João III, filho de Don Manuel.

Extraído de: BRASIL Uma História: cinco séculos de um país em construção — Eduardo Bueno > Direitos reservados a Texto Editores Ltda. uma editora do Grupo Leya.

Like what you read? Give Galego de Miranda Pinto a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.