Para não dizer que não falei em bananas

Foto: Revista IstoÉ

O favor de Dilma — por Mario Sabino

Uma vez aprovado o impeachment, a oposição teme que Dilma Rousseff acorrente-se à mesa presidencial, para ser retirada à força do Palácio do Planalto.

Se ela vier a dar esse espetáculo, a imagem do Brasil será indelevelmente a de uma república das bananas.

É o que somos.

Nesse aspecto, Dilma Rousseff nos faria um favor. Fingimos mal ser o que não somos.

O Brasil é bananeiro no gongorismo do Supremo Tribunal Federal.

O Brasil é bananeiro na vulgaridade do Congresso Nacional.

O Brasil é bananeiro na rapacidade dos seus partidos.

O Brasil é bananeiro na poltronice dos seus empresários.

O Brasil é bananeiro na caipirice dos seus cidadãos.

O Brasil é bananeiro na emotividade despudorada de lulistas e antilulistas.

O Brasil é bananeiro na precariedade das suas cidades.

O Brasil é bananeiro na mediocridade das suas universidades.

O Brasil é bananeiro na indigência da sua cultura.

Os modernistas tentaram transformar os nossos defeitos de república das bananas em qualidades maravilhosas que nos diferenciavam de todos os outros povos, bananeiros ou não.

Essa balela extravasou o meio intelectual e passou a ser vendida em todo tipo de propaganda — da política à de chinelos.

Foi assim que esquecemos Machado de Assis e passamos a adorar Oswald de Andrade.

Foi assim que fomos de Joaquim Nabuco a Lula.

Dilma acorrentada à mesa presidencial cancelaria de uma vez o nosso auto-engano.

29 de Abril de 2016

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