O Inter não vai subir para a primeira divisão

Corneta Colorada
Jul 24, 2017 · 4 min read

O Inter não vai subir para a primeira divisão. Isso não é uma fanfarronice. Isso é uma constatação. Isso é resultado da fria e matemática análise dos fatos.

O Inter tem agora mesmo 50% de aproveitamento. Desde 2006, ano no qual a segundona começou a ser disputada no atual formato, nunca um time subiu com um aproveitamento tão baixo. Apenas em 4 oportunidades clubes com um aproveitamento tão baixo ao final do primeiro turno conseguiram se recuperar. Apenas duas vezes nos últimos dez anos. Nenhum deles tinha o Fabinho, que em 2014 jogava no rebaixado [para a terceirona] América de Natal.

A média é 63 pontos, ou 55% de aproveitamento. Mesmo assim, em 3 campeonatos essa pontuação não foi suficiente. Para alcançar a média, o Inter precisa de 13 vitórias nos próximos 22 jogos. É impossível fazer isso sem ganhar dois jogos seguidos pelo menos duas vezes. Até agora, o Inter só conseguiu ganhar dois jogos seguidos uma vez.

Pior: é impossível atingir esse aproveitamento com mais de 9 derrotas. Esse é um dado especialmente assustador se você conhece o contexto específico do Internacional. Estou falando de todos os erros que o Inter invariavelmente comete todos os anos, e invariavelmente há de cometer até o final do campeonato.

Estou falando das próximas dez derrotas do Inter na segunda divisão.

2 DERROTAS: As Toucas.

O Inter vai perder para o Goiás no Serra Dourada. O Inter vai perder para o Paraná na Vila Capanema. Não há nada que ninguém possa fazer sobre isso.

1 DERROTA: O Plano Torres Gêmeas.

A essas alturas, já ficou claro que o ataque do Inter é de uma inoperância assustadora. Também já passamos do momento em que o problema foi diagnosticado como a falta de um centroavante aipim, um infeliz cuja única função é ficar lá plantado na área. É um desses momentos no qual o veneno, na dose certa, pode ser remédio: Leandro Damião foi contratado exclusivamente com base nesse critério.

O problema é que o Inter acredita sempre em aumentar a dose do remédio que não está dando certo, o que significa que estamos cada vez mais próximos do momento em que o problema vai ser diagnosticado como a falta de DOIS centroavantes aipim e de morrer envenenados.

O Inter vai colocar o Plano Torres Gêmeas em prática depois de uma derrota sem chutes a gol. No jogo em que o plano vai ser posto em prática, o time vai passar jogando bolas na área da intermediária, como quem joga milho aos porcos. Não vai conseguir nem consagrar a zaga do time adversário. Até o mais crédulo dos olheiros europeus, o homem que indicou a contratação de Juan Jesus e Danilo Silva, vai perceber que frustrar um ataque alimentado por Uendels não é uma provação.

2 DERROTAS: “O Inter tem que acordar”

O futebol tem leis imutáveis. Lateral e jogador de bigode não podem bater pênalti. Jogador ruim está sempre pronto para jogar. Zagueiro não pode servir para genro. Jogador velho só se pisa.

Existe, no entanto, uma lei menos conhecida: cada vez que um jogador diz que o time “tem que acordar”, ele está mais próximo da massa crítica do despertar: uma micro-implosão que vai levar a duas derrotas seguidas.

Isso porque não existe nenhuma evidência científica no sentido de que Nico López ou Cláudio Winck joguem melhor acordados do que dormindo. Ao contrário: quando parecem plenamente cientes do seu lugar no mundo, é quando pior jogam. O verdadeiro craque colorado é o sonambulismo: cada vez que alguém se esforça para acordar um jogador, a derrota está mais próxima.

1 DERROTA: A maldição do volante Wellington.

O volante Wellington é aquele jogador cheio de qualidades que apenas o treinador e os analistas táticos enxergam, que invariavelmente erra horrivelmente em um jogo e é responsável direto por uma derrota.

Nem sempre ele se chama Wellington, nem sempre é volante e nem sempre está sozinho: o atacante Michel é um dos maiores volantes Wellington da história, mesmo jogando em um time que tinha um volante Wellington; Muricy Ramalho jogava com dois volantes Wellingtons, mas um se chamava Flávio. A única coisa certa é que ele está lá, vai errar horrivelmente em um jogo e vai ser responsável direto por uma derrota.

4 DERROTAS: O PACTO

Ao final de cada jogo perdido, os sábios que permanecem entre a torcida colorada assistem às declarações dos jogadores com medo nos olhos. A cada dia da semana, os colorados versados na arte do fracasso escutam à coletiva do dia com ouvidos apreensivos. A cada manhã, os colorados que conheceram o sol da vitória quando já eram homens reviram a seção de esportes do jornal com dedos trêmulos.

Todos eles conhecem a junção de sílabas que conjurava o pesadelo do fracasso na noite de sua infância. Todos eles desdenharam da lição dos colorados da geração anterior e aprenderam as custas dos próprios sonhos sobre a inevitabilidade do fracasso que segue ao anúncio maldito. Todos já perceberam no presente momento os sinais inequívocos que precedem o momento fatídico. Todos sabem que é apenas uma questão de tempo para que um arauto de chuteiras anuncie: “o grupo está fechado e nós fizemos um pacto pelas vitórias”. Todos sabem que, então, tudo estará perdido.

    Corneta Colorada

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