Pra não dizer que não falei de ingressos

Ou: 9 perguntas sobre o preço das coisas…

1) O pacote para a Libertadores estava caro?

Vou analisar pelo setor que comprei: Portão 03, entrada pela Pitangui.

Ano passado, o Galo fez o primeiro jogo em casa contra o Del Valle (R$80,00 para o sócio naquele portão). Em 2015, foi contra o Atlas (R$80,00 para sócio, R$160,00 não-sócio).

Dividindo o pacote deste ano pelos três jogos, são 71 reais por partida. Considerando-se os últimos três anos, a resposta é não.

2) Ingressos para a Libertadores são mais caros?

Logicamente que sim.

3) Os ingressos para a Libertadores não estariam muito caros?

Agora começa a ficar interessante.

O Galo estreou na Libertadores/13 cobrando R$120,00 para o Portão 03. Dois detalhes são importantes: ainda não havia GNV Prata (logo, sem preço promocional), e os preços de todos os setores dobraram em relação ao Brasileirão/12.

Podemos pensar que o equivalente seriam R$60,00 se já existisse essa categoria de sócio? Hum… vai de cada um essa conclusão. Quero destacar mesmo é o fato dos ingressos terem dobrado de valor de um torneio para o outro, mas não terem recuado de patamar quando o Brasileirão chegou.

Naquele Brasileiro, o Galo cobrou R$100,00 pelo Portão 03 em seu primeiro jogo. Lembre-se que no ano anterior ali custava R$60,00. Meses depois, o clube se viu obrigado a rever, ainda que só em parte, a sua política de preços para um campeonato que o próprio time havia abandonado para se dedicar à campanha que conquistou a América.

O que nos leva a 2014. Quanto custaria a defesa do título, mesmo sabendo que a torcida mostrava, público a público, que os preços estavam salgados?

O Galo enfrentou o Independiente Santa Fe pedindo "módicos" R$160,00 pelo Portão 03. Isso, apenas por um jogo. Porque ali estava o embrião da nova campanha. O preço para comprar de uma vez os três ingressos da primeira fase ali era R$360,00 (120/partida, igual ao ano anterior).

Não é que as razões não sejam compreensíveis, mas o que percebo sobre o biênio 13/14 é o seguinte: primeiro, o Galo normalizou a ideia de que o ingresso mais caro é natural e inevitável; depois, inaugurou a prática de subir o preço "comum" para parecer que os preços "promocionais" são ok. Lembre-se, mais barato não quer necessariamente dizer barato…

Então, diria que sim! Que os ingressos estão muito caros.

4) Mas você não acabou de comparar lá em cima e concluir que não eram caros?

Rá! Eu falei do pacote. Não por acaso eu o comprei também…

Porque aceitei (como todos, fui obrigado, na verdade) que esse patamar de valores é normal, que ele parece razoável nesse universo. Mas você se esqueceu que 71 reais era o preço com 64% de desconto?!?

Como em 2014, não houve desconto de fato, houve aumento do dito comum. A primeira fase/2017 alcançou o preço da grande final/2013: R$200,00!

Nem na inflação brasileira isso pode ser chamado de normal!

5) Mas a venda antecipada não é boa para o clube?

Sim, mas só se ela der certo, né?

6) Oi? Como assim?

Você não teve a impressão que a venda de pacotes durou pouco tempo? Não achou que, de repente, surgiu uma data-limite? Ouviu falar de uma segunda leva de pacotes que nem foi lançada?

O clube não criou uma estratégia de preços boa para quem é sócio. Ele criou uma estratégia boa SOMENTE PRO SÓCIO!

De modo que, em algum momento, a diretoria teve de se fazer a seguinte pergunta: "quem não comprou 3 ingressos por 71 compraria os de 200? E de quantas pessoas estamos falando?"

7) Por que você acha que a venda antecipada deu errado?

Você se lembra que todos os pacotes te davam duas opções de setores, uma para o Horto e outra para a Pampulha? Pra mim, aí está o pulo do gato.

A diretoria achou seus preços tão bons que, em sua megalomania, considerou que venderia pacotes suficientes para levar os jogos para o Mineirão (estádio que só se justifica lotado). O que seria possível se todo sócio GNV Prata comprasse.

Não aconteceu. Ontem foi confirmado que a venda girou em torno de 10 mil pacotes. Não foi a diretoria que finalmente anunciou o Horto, foi o ritmo de compra que o definiu lá.

8) E a venda antecipada deu errado por quê?

Esse mesmo pacote que a gente chama de barato, pra manter o time forte, é Libertadores etc… parece ter saído em conta apenas para quem não perdeu emprego no último ano. Pra quem manteve seu nível de renda, que não está precisando cortar gastos em casa ou não está sentindo a recessão.

Apesar de estar desconectada da realidade que nos cerca, ao menos a diretoria se deu conta do seguinte: o pior que poderia acontecer seria a venda crescer vagarosamente, o suficiente para tirar o jogo do Indepa, mas sem encher o Mineirão (de custo operacional muito mais alto).

A conta é relativamente simples: 10 mil Pratas mais 3 mil GNV Pretos. Uma coisa é achar 7 mil abonados para comprar ingresso caro e lotar o Horto. Outra é achar 47 mil

8) E o preço agora?

Como uma parte da torcida parece andar o tempo inteiro com o código de defesa do consumidor debaixo do braço, isso impede o clube de fazer uma grande revisão na sua estratégia de preços. Quem comprou pacote não poderia se sentir enganado (vocês andam incrivelmente mesquinhos).

Então, a saída é um preço intermediário para retomar a venda ao universo do GNV Prata e o preço cheio para o resto da torcida. Essa última dificilmente comprará ingressos, mas desta vez não sei dizer se será porque eles se esgotarão no Prata…

A venda de pacotes foi suficiente para lotar os Portões 02 e 03. O setor mais próximo é o Portão 06 (também no nível do campo, mas atrás do gol). Seu preço: R$120,00 para o GNV Prata, e os já citados R$200,00 para o GNV Branco e, penso eu, mais ninguém.

9) Então…?

Então é isso. Vamos encher o Horto porque é o que de melhor fazemos, vamos vaiar se der na telha porque é o que agora fazemos, e vamos pagar caro por ingressos de mata-mata porque é normal, segundo entendemos.

E, claro, ficaremos inconformados com públicos ruins no Brasileirão. Porque nunca aprendemos…

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