Filhos.

Conforme envelhecemos a vida vai ficando mais pesada. Seja pelas responsabilidades maiores, pela pressão social maior, por perceber os sonhos ficando nublados e distantes da realidade, pela pressão de ter sucesso, etc. É dai que nasce a crise da meia idade, acredito eu. Tentar se reinventar, tentar fazer aquelas coisas que você nunca ousou fazer, se vestir como nunca se vestiu, coisas que você já quis fazer e nunca fez ou simplesmente coisas que não fez.

A adolescência passou mas as perguntas não foram respondidas. Passou a fase de questionador e rebelde mas ninguém te respondeu nada. Ninguém te explicou sentido nenhum. Você só cansou de questionar.

Nem os mais velhos que você, que já estão em outra fase da vida, entendem ou consegue explicar. E cada dia, cada conversa que você tem, parece que caminha pra conclusão de que ninguém se importa. Ou fingem que não. Parecem guardar as duvidas e questionamentos em gavetas. Todos estão fazendo isso. Desistiram? O que aconteceu? Se ninguém achou respostas, por que pararam de perguntar?

Nada responde. Só conforta, só te distrai da pergunta.

Você se depara com o maior abismo da humanidade. O maior vazio. A maior duvida. O maior silêncio.

Ai que entram os filhos. Justamente pra não pular nesse abismo, você pega a maior pedra possível e amarra no tornozelo. Pra ter o que te segura aqui. A vida de outra pessoa depende totalmente de você. Quem ele vai ser, pra onde vai, com quem, as influências — com você sendo a maior delas. Agora você é responsável por ele, não pode ir, tem um motivo pra ficar.

Uma vida que depende de você. Um motivo pra ficar. Ainda, nada respondido.

Não acredito que seja um esquecer da motivação original da pedra. Porque não tem como esquecer, se você nunca soube. Você só não tem mais tempo pra pensar sobre isso.

No minimo 18 anos. Sabemos que é pra sempre. E você encontra paz na luta. Sua batalha diária tem motivos. Quando morrer vai ser em paz, seu filho teve tudo que você poderia dar.

Mas e suas perguntas sem respostas? Elas continuam lá, você só passou pra outra pessoa.

Cornini

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.