Roger Machado e os Estudiosos do Futebol…

Há uma semana atrás Roger Machado, técnico da nova geração do futebol brasileiro, era demitido ou, melhor dizendo, pedia demissão do Grêmio após a segunda derrota seguida fora de casa por mais de dois gols de diferença no Campeonato Brasileiro.

Após um ano e alguns meses, o que se viveu na passagem do jovem técnico pelo clube tricolor foi a polarização dos entendedores de futebol no Rio Grande do Sul e em menor escala no Brasil. De um lado, os apoiadores de “Pep Rorgiola”, fascinados com o bom futebol apresentado em 2015 e seduzidos pelas expressões novas do comandante gremista, tais quais: vitória pessoal, terço final, médios apoiadores, entre tantos outros…Do outro lado, os “dinossauros” da imprensa, adeptos das análises in loco, do futebol como sempre foi e de certa forma hermeticamente fechados a novos ensinamentos.

Mas o que mais me incomodou e tem me incomodado ultimamente nesse pouco mais de um ano de Roger no Grêmio, foi a denominação dada ao ex-técnico gremista de Estudioso do Futebol. Não por eu saber se o mesmo estuda ou não o esporte a fundo, e nem esse é o ponto que deve ser discutido. E sim, as referências de livros que são dadas para adjetivar essa classe de treinadores “estudiosos”.

Comecemos por “Guardiola Confidencial” e “Mourinho Rockstar”, livros ótimos, apaixonantes para os amantes do futebol, porém, nada mais que livros de cabeceiras que contam histórias e alguns bastidores de profissionais extremamente vencedores, trabalhadores e geniais no que fazem e que, na minha modesta, opinião não deveriam estar ligados a arte de estudar o futebol em si.

Há uma história bastante sintomática sobre o assunto que envolve Diego Simeone, atual técnico do Atlético de Madrid, o qual o mesmo pede para que seu auxiliar compre centenas de livros de futebol em um grande livraria de Madrid, chamada Esteban Sanz, anos depois o proprietário da livraria diz que não se espantou com o sucesso do argentino frente o clube espanhol, tendo em vista a infinidade de literaturas esportivas que o mesmo comprara para se aperfeiçoar na profissão. O mesmo proprietário também lembrou da passagem de Maradona antes da Copa do Mundo de 2010 pela livraria, em que o Deus Argentino não chegou a comprar nenhum livro e quando perguntado o porquê de não comprar nada, apontou para a própria cabeça e disse: “Tenho tudo aqui dentro”.

Em que pese não necessite existir somente Simeones e Maradonas entre os técnicos, premiar alguns com esse rótulo apenas por nomenclaturas diferenciadas ou por vitórias isoladas em determinado espaço de tempo não deveria acontecer. O futebol é muito maior do que as quatro linhas e as diligências de um treinador não podem e não devem se resumir a isso.

Voltando ao Roger, logicamente existiram acertos, principalmente em 2015 com ótimos jogos fora de casa contra Atlético-MG e Corinthians, vice e campeão respectivamente, tendo no papel escalações inferiores aos mineiros e paulistas. Porém, como já dito acima, o futebol e o trabalho de um profissional não pode se resumir a isso e declarações ou expressões de efeito pós-jogo.

Faltou a Roger o chamado “jogo de cintura”, pois como já mencionado no primeiro parágrafo, apesar de ter conquistado uma legião de fãs com seu trabalho, também confrontou setoristas que não conseguiam enxergar relação entre o vocabulário diferenciado e o fraco futebol jogado no ano de 2016, algo que em um estado como o Rio Grande do Sul o qual as notícias são polarizadas em apenas dois clubes, se infiltram muito rápido no pensamento de dirigentes tão passionais quanto torcedores.

Sinceramente, ainda não tenho opinião formada sobre o futuro de Roger, tendo em vista estar vindo de 2 trabalhos comuns por Novo Hamburgo e Juventude e pelo fraco ano de 2016, o qual não conseguiu fazer Miller Bolaños jogar o seu melhor , indicou Wallace, zagueiro fraquíssimo vindo do Flamengo e direta ou indiretamente delegou lideranças a jogadores de qualidade duvidosa como Marcelo Oliveira e Edilson, demonstrando no mínimo sofrer influência de jogadores como Douglas, amigo público dos dois, vide Instagram.

Enfim, não há tanta certeza nos futuros tanto de Grêmio quanto de Roger, mas na visão deste que vos escreve, ninguém foi injustiçado nesse história, porém no imaginário de alguns, até que o futuro prove o contrário, o clube perdeu um estudioso do futebol…mesmo que tenha sucumbido após pouco mais de um ano de trabalho.