Apenas um desabafo

Tenho visto, nesses últimos meses, uma grande quantidade de questões contra liberdade de gênero na internet. Talvez tenham acontecido casos que trouxeram o assunto à tona, pode ser por causa do programa recente do canal GNT (Globosat) ou mesmo por figuras como o Bolsonaro estarem em evidência… não sei. Fato é que tenho visto, lido e ouvido muito sobre o tema — é a treta do momento. Aliás, a expressão “liberdade de gênero” é nova. Não que a questão seja, mas passado/história e liberdade nunca combinaram. Hoje ainda estamos começando a caminhar, para falar a verdade, mas agora a sociedade já evoluiu o suficiente para pelo menos conseguirmos conversar sobre o assunto.

Com tamanho rebuliço e quantidade de informação disponível, deveria haver mais clareza e menos preconceito, mas não é o que acontece.
 Todos os dias presencio agressões (disfarçadas) e tenho me sentido muito incomodado, o suficiente para querer fazer essa postagem. E se eu, que não sou o alvo, me sinto bastante incomodado, imagina quem sofre todos os dias, possivelmente desde pequeno?
 Essas agressões são disseminada pra todos os lados, por vários veículos: nas redes sociais, nos grupos de mensagem, nas “piadinhas” em bares ou pior, no ambiente de trabalho(!), local em que o respeito (ou medo de dar merda) deveria ser maior. O único alívio que sinto é que o padrão aqui é estar em grupo. Ninguém manda “piada” (de novo com aspas) numa conversa privada ou te chama num canto pra falar algo feio de outrem. Pra mim isso é prova irrefutável de que quem propaga o ódio sabe que está errado, e uma hora vai ter que parar com essa palhaçada.

Por enquanto, infelizmente, continuam os ataques. Os que mais doem são das pessoas próximas, com quem convivo no dia-a-dia. Muitas delas bastante instruídas, com grande poder aquisitivo, inteligentes e carinhosas. Amigos que, não sei o motivo, perpetuam o rebosteio. A maioria está tão por fora da questão de gênero que ainda trata tudo como homossexualismo, replicando as velhas chacotas com “bichas”, “veadinhos”, chamando os tricolores de gays, zombando dos colegas de trabalho do mesmo sexo quando ambos chegam ou saem juntos…
 Não sei quem me cansa mais, se os que chamam alguém de homossexual achando que é ofensa ou se são os que acham que “o mundo está tomado” e “antigamente não era essa pouca vergonha”. Provavelmente estes últimos, porque querem limitar seus arredores apenas com o que lhes agrada. São os mais imbecis e ao mesmo tempo, os mais incoerentes. Ao mesmo tempo que querem viver na sua bolha azul ou rosa, longe dos esquisitos, não aceitam que esses excluídos tenham voz e se organizem. Reclamam quando estão na presença de homossexuais, transgêneros, crossdressers, travestis, transexuais, ou seja, na presença de qualquer um que também não seja hétero, mas também não gostam quando eles se organizam e acham seu espaço. Quantas vezes será que ouvi “ah, mas agora tem gay em tudo que é lugar, vão dominar o mundo” ou “daqui a pouco vai ter escola gay, cinema gay…”? DEIXA OS CARAS!
 Pra qualquer integrante de minoria, antes de ir num cinema, passear num parque, ir na mesma passeata que você, no mesmo estádio (nossa, quanta coisa em comum, não?) e sofrer agressões, é melhor ir nos eventos e lugares em que sabem que serão bem tratados [não, deixa eu refazer] em que serão tratados com naturalidade. Por isso existem as boates LGBTs, cruzeiros gays e quaisquer locais e estabelecimentos de qualquer natureza, pra qualquer grupo — para que qualquer pessoa (incluindo você, opressor) possa desfrutar um programa sem precisar se preocupar com a segurança apenas por não seguir o padrão opressor. O mundo não “virou gay”, você é que é intolerante e egoísta demais para respeitar o espaço alheio. Então não se trata de “auto-exclusão” ou “preconceito invertido” ou qualquer baboseira que queira bancar pra se sentir isento de culpa, se um grupo se fecha, é porque a maioria opressora os força a isso.

O que eu não entendo ou suporto é o desrespeito gratuito. Sério que você se sente tão fragilizado e ameaçado a ponto de precisar atacar? Por que não trata quem não é igual com a mesma indiferença com que trata qualquer outro? Tenho certeza de que nem deve olhar nos olhos do vizinho no elevador, então por que fazer questão de criar problemas com algo que não te diz respeito? Faça o favor de ignorar!

Como diz no título, não quero descobrir a pólvora, nem mesmo trago um ponto de vista novo sobre o assunto. Gostaria de apresentar uma proposta para solução (hahaha) da questão da violência, mas também não consigo. Apenas quero desabafar as coisas que vejo todo santo dia e que não imagino que parem.

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