Semana 6 — Um maquinário familiar

Cada família é como uma máquina. O que ocorre quando perdemos uma peça?

Cada família é como uma máquina.

Funcionando diariamente, com precisão, de acordo com seus meios de produção. Quando alguém da família morre, é como se uma das peças da máquina tivesse desaparecido.

Não importa se foi de repente, ou se já prevíamos; toda peça é importante no todo, e a partir do momento em que isso acontece, toda a produção fica bagunçada. Cabe ao responsável pelas peças substituí-la por outra, ou ainda tentar retomar a produção, mantendo-a como costumava ser.

Sim, tentar.

Porque na família, assim como num maquinário, por mais que haja sim uma certa racionalidade, uma lógica de ser, só o tempo dirá o que vai acontecer.

Algumas máquinas funcionam perfeitamente sem aquela peça faltante; outros conseguem achar uma substituta e seguem adiante com seus movimentos cronometrados, mesmo sabendo que não é a mesma coisa; outras máquinas, porém, não suportam a falta e simplesmente deixam de funcionar, entram em colapso.

Claro que depende da máquina, da produção, da função que cada peça exerce, mas principalmente, da importância que tal peça desaparecida tinha naquele sistema em particular.

A grande questão é: como é que pessoas como eu e você, os autodenominados zeladores das máquinas, ficamos, depois que tal colapso se apresenta diante de nós? O desaparecimento, a recuperação, e o provável colapso inevitável.

Seja por culpa nossa, seja devido a um grande acaso… não faz diferença no final; somos os zeladores e sempre nos sentiremos responsáveis, e principalmente, culpados por essa peça que sempre fará falta, digam o que for.

Não há ferramenta que remova esse peso de nós.

Não queira ser o zelador do maquinário familiar; é um cargo para a vida toda, sem férias ou bônus.

Afinal, para nós, missão dada é missão cumprida.

E quando ela não se cumpre?

Fica a cobrança.

Não aquela do dedo apontado, mas a do espelho refletido.