te vejo
vejo tu através dessa fachada,
vejo tu e teus segredos escondidos.
vejo o que tu não quer mostrar pro mundo…
e vejo teu corpo ferido.
o jeito que arruma o cabelo pro lado esquerdo,
evitando contato visual por medo,
essas manias em teus monólogos Homéricos…
o que tu quer eles vejam?
e será que tu me vê também?
me ver, assim, feito eu te vendo…
que escuto, através da Quarta Parede! e do cinismo.
que observo as pequenices fascinantes, as atuações descaradas;
tantos vícios, tantas falácias.
tu se cobre com um orgulho enfiado no chão da alma,
e com a cara lavada me diz que tá tudo bem.
e será que tu me vê também? vê quando eu tô fingindo?
escutar os vacilos na voz, perceber os olhos encherem d’água […].
vejo tudo isso, porque entendo… porque faço a mesma coisa.
vejo tu pelo filtro mais lindo do Instagram (e vejo demais, demais),
mas observo teus declives, as ladeiras e as depressões de ter que ser gente.
e me disseram que a gente só conhece o outro bem quando o vê no seu mais vulnerável e pífio momento,
senão é máscara. senão é invenção.
é tão difícil olhar o mundo desse vidro meio espelhado, meio fosco, meio enferrujado.
é tão difícil conhecer o outro bem,
será que tu me vê, aqui, também?
