Em primeira entrevista após a posse, vice-coordenador da Chapa Por Toda a UFSC fala sobre greve e permanência estudantil

Com 54% dos votos da eleição mais disputada dos últimos anos, a Chapa Por Toda A UFSC foi eleita para o Diretório Central dos Estudantes. O Cotidiano UFSC entrevistou o vice-coordenador da chapa, Arthur Vargas, sobre os planos para a gestão e os temas mais discutidos durante a campanha eleitoral.

Cotidiano: Qual a avaliação da chapa sobre o processo eleitoral e o resultado das eleições?

Arthur Vargas: O processo eleitoral foi extremamente concorrido, porque a chapa deles em termos de mobilização e de preparação estava muito melhor que a gente. Eles tinham um efetivo maior para pintar faixa, fazer panfletagem. Acredito que eles tinham mais experiência que nós, por serem de grupos políticos. O nosso material de campanha atrasou. Chegou na quarta-feira, uma semana antes da eleição. Tinham poucas pessoas para pintar nossas faixas. A gente fez na correria. A nossa passagem em sala começou na quarta e terminou na terça. Eram poucas pessoas que ficavam manhã, tarde e noite passando em sala. Iam ao CFH, depois no CTC, depois no CCS. Então foi bem árdua a campanha. Eram poucas pessoas nossas trabalhando, a gente via que tinham mais pessoas deles. Então foi um processo bem árduo e bem acirrado, e depois valeu a pena. Se não me engano a gente ganhou com 54%, então foi uma diferença considerável.

168 estudantes foram inscritos na nominada da Chapa Por Toda A UFSC

C: Quais serão as mudanças dessa gestão em comparação aos dois anos anteriores?

AV: O que faltou muito na gestão passada foi a comunicação. O DCE fazia eventos, programas culturais, programas políticos, e eram pouco divulgados. Os estudantes não sabiam que estavam acontecendo. Muitos nem sabiam o que era um DCE. Esse ano a gente tem que trabalhar muito mais nesse quesito.

C: Como a chapa pretende aproximar os demais campi das decisões da administração central?

AV: O resultado da eleição mostra que o trabalho que o DCE fez durante a gestão passada nos outros campi foi muito bom. A votação foi majoritariamente na nossa chapa. O que foi feito na gestão passada e vai continuar sendo feito nessa são visitas periódicas aos campi do interior. Na gestão passada, criamos centros e diretórios acadêmicos nos cursos de lá. Muitos cursos não tinham centros acadêmicos, e a gente fundou. Agora tem uma troca direta entre os centros acadêmicos de lá com o nosso DCE. A nossa gestão se identifica com a gestão deles. Com esse contato direto, a gente vai saber melhor quais as demandas deles.

C: Quais os benefícios de regulamentar as atléticas?

AV: As atléticas não serem reconhecidas pela UFSC como entidade causa uma série de empecilhos. Quanto às viagens, por exemplo, fica complicado pedir auxílio, ônibus ou alojamento para a PRAE. Também tem questões curriculares: as atividades que os estudantes desempenham nas atléticas poderiam ser contadas como hora extra se fossem regulamentadas. Recentemente, membros da nossa chapa foram a Brasília e conversaram com representantes do Ministério do Esporte que elogiaram as atléticas. Falaram que são órgãos de extrema importância para o desenvolvimento e a integração acadêmica. Se as atléticas forem regulamentadas, a chance de aumentarem os vínculos com o governo federal também aumentam.

C: A expansão do movimento empresa júnior traz quais avanços para os alunos, a instituição e a comunidade universitária?

AV: Uma das maiores críticas que escutamos é que os cursos são muito teóricos, falta prática. A Empresa Júnior é um caminho do estudante por os estudos em prática. É o maior benefício que ela traz para a universidade: a possibilidade do estudante entender como funciona seu curso na prática.

C: Que outros projetos de extensão são apoiados pela chapa?

AV: A gente vai apoiar qualquer projeto dos estudantes. Qualquer estudante pode trazer um projeto, seja escritório modelo, grupo de competição. A gente ouviu uma demanda muito grande dos cursos novos do CFH - Geologia e Oceanografia - de que eles têm pouca prática, pouca viagem a campo. Toda demanda que os estudantes trouxerem, o DCE vai atender. A gente acredita que a melhor maneira do DCE trazer novos projetos é escutando o estudante.

C: Além do Toca Para Mim DCE, quais são as intervenções artísticas e culturais propostas pela chapa para a universidade?

O Toca Para Mim DCE promove shows de bandas durante o horário de almoço, ao lado do Centro de Convivência

AV: A gente está buscando a regulamentação das festas, para que possam ser realizados de maneira legal no campus Trindade e nos demais campi. Queremos nos aproximar dos coletivos artísticos, que tem música afrodescendente, samba. Também queremos aproximação com as bandas independentes de rock que tem na UFSC. Queremos mais contato com esses grupos para abrir portas para eles mostrarem o trabalho deles, com o DCE como intermediário.

C: Como a chapa avalia a atual situação das festas no campus?

AV: Para fazer uma festa no campus hoje é extremamente complicado. Você precisa de tantos alvarás, ambulâncias e seguranças que se torna quase impraticável fazer uma festa. Na gestão passada, o DCE realizou uma festa atendendo todos os requisitos de segurança, limpeza, etc. Ficamos com um prejuízo de 700 reais. Os processos de alvará são burocráticos, demora para conseguir a liberação de tudo. O DCE quer, através do diálogo com a reitoria, encontrar uma maneira viável de fazer festas, que atenda os quesitos de segurança e limpeza que consideramos importantes, e que seja viável para os cursos, que não saia tão caro, não demore tanto.

C: Existem propostas de arte e cultura para os outros campi?

AV: Como foi dito, vamos buscar o contato direto com os centros acadêmicos dos outros campi, e o que for decidido vamos atender.

C: Qual será o papel do DCE durante as eleições para a reitoria?

AV: O DCE pretende se posicionar, apoiar um candidato ou candidata, fazer campanha para esse candidato. Mas também vamos promover debates, é um dos nossos compromissos: organizar debates como houve da EBSERH. Também palestras e rodas de conversa sobre os prós e contras de cada candidato para que o estudante possa escolher o que acha melhor para seu centro, seu curso, corpo docente, técnicos, etc.

C: Já sabem quem será o candidato que irão apoiar?

AV: Não, ainda não temos. Não sabemos se seria certo apoiar um candidato se os estudantes estivessem majoritariamente apoiando outro. Vai pesar muito na nossa escolha buscar um candidato que tenha o apoio da maioria dos estudantes.

C: Como a chapa pretende cobrar a aprovação do voto paritário?

AV: Vamos começar via CUn, colocando em pauta a discussão. Se não surgir efeito, podemos tentar uma pressão maior; através de panfletagem, manifestação, de mobilizar os centros, os cursos, os campus do interior. Ou seja, começar do micro, e se isso não trouxer resultados, partir para o macro.

C: Qual a posição do DCE sobre as greves dos TAEs e docentes filiados ao ANDES?

Greve dos funcionários técnico-administrativos paralisou parcialmente serviços como BU e RU

AV: Nós reconhecemos o direito constitucional do trabalhador de entrar em greve, estamos de acordo com as reivindicações propostas por eles. Eles têm direito de exigir condições melhores de trabalhos. Mas uma coisa que debatemos na nossa campanha é a permanência estudantil. Nós apoiamos a greve, mas o RU fechado, a BU fechada e muitos cursos sem aula deixam difícil para o estudante se manter na universidade. Deve existir esse debate de como acontecer a greve, sem afetar o estudante com vulnerabilidade.

C: Segurança foi um dos temas mais discutidos durante a campanha. Como a chapa pretende conseguir a implementação de projetos como a iluminação, que já foi prometida pela reitoria em diversos momentos e nunca foi executada?

AV: O DCE possui três projetos para a segurança. Em curto prazo, defendemos a ronda da polícia militar nas vias públicas da UFSC. A gente não defende a PM dentro dos prédios, salas de aula ou lanchonetes. Em médio prazo, é a iluminação. E de longo prazo, a criação de uma guarda universitária. Sobre a iluminação — que é o projeto de médio prazo — quando pressionamos a reitoria sobre a questão, ela nos disse que a iluminação está ligada a prefeitura de Florianópolis, porque as vias públicas pelas quais os ônibus passam não são responsabilidade da UFSC, e sim da prefeitura. Estamos dispostos a ter um diálogo com a prefeitura para que o projeto de iluminação seja colocado em prática.

C: Nos últimos anos, a moradia estudantil não foi ampliada. Muitos alunos relatam grandes dificuldades para conseguir auxilio na PRAE. Com a ampliação das cotas, mais alunos que precisam de auxilio entrarão na universidade. Sob essa perspectiva, o que a chapa pretende fazer para melhor as condições de permanência estudantil?

AV: A moradia estudantil deve ser ampliada. Realmente, 153 vagas é pouco. O método utilizado será o mesmo: começar no micro, com diálogos com a reitoria, a PRAE e os coletivos que tem dentro da moradia. Se não surgir efeito, vamos para o macro: partimos para manifestações, para um combate mais direto. Quanto ao auxilio da PRAE, precisamos desburocratizar. É muita coisa que tem que ser preenchida, muitas vezes o critério de vulnerabilidade adotado para um estudante é diferente do adotado para o outro. Existem muitas críticas sobre estudantes que vivem na moradia e recebem auxilio, e que não precisariam receber, pois tem condições de estar em uma casa alugada, não precisariam de moradia. Há estudantes que estão em casa alugada e na verdade precisam urgente de moradia, e estudantes que não recebem auxilio e deveriam estar recebendo. Queremos mais transparência para saber quais os estudantes que realmente precisam da moradia e precisam de auxilio, e quais têm condições de se manter.

C: Durante as eleições, as três chapas enfatizaram a importância da reabertura da ala A do RU. A mesma proposta foi apresentada pelas chapas Novos Rumos e Dias Melhores. Quais os entraves para sua implementação?

AV: A resposta que nós temos é que a Ala A do RU ainda carece de iluminação, ventilação e outras coisas para seu funcionamento. Ainda não há plano de como iria funcionar a cozinha e o self-service. A reitoria não deixa claro para nós se as obras estão em andamento, se estão paralisadas. Queremos da reitoria uma posição clara sobre o que falta, para depois ver qual a decisão que será tomada.

C: Com a greve dos TAEs, os estudantes estão autorizados a fazer refeições no RU do CCA, porém não foi disponibilizado transporte como no ano passado. Além disso, os estudantes que recebem auxílio de 7,50 por refeição da reitoria não estão autorizados a comer no CCA. A facilitação do acesso ao RU do CCA está entre os planos da chapa?

Estudantes que recebem auxilio da PRAE no valor de 7,50 por refeição são barrados pela fiscalização na entrada do RU do CCA

AV: Sim. A chapa tomou posse na sexta-feira passada, e vamos escolher quem serão nossos representantes no CUn o mais rápido possível. Assim que a gestão estiver mais organizada, imediatamente a gente vai buscar ônibus para os estudantes do campus trindade poderem almoçar com mais facilidade no RU do CCA. Também estamos de acordo que os estudantes almocem mesmo com o auxílio, porque sabemos que ele não dá para o almoço e para a janta.

Entrevista: Matheus Alves de Almeida

Fotos: Anna Silva e Priscila dos Anjos

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