E se esquecermos as referências e olharmos para nós mesmos?

CPEE
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Aug 8, 2017 · 4 min read

Um breve texto sobre um modelo de liderança distinto do que estamos acostumados a ouvir.

A revolução digital nos proveu de acesso (quase) ilimitado a informação. Temos na palma de nossas mãos uma infinidade de conteúdo. Livros, artigos, vídeos — nunca foi tão fácil aprofundar-se em qualquer área do conhecimento.

Ao mesmo tempo, a internet, as mídias sociais, o aumento exponencial da velocidade de processamento e veiculação da informação nos seduzem a aceitar como normal um ritmo de vida rápido, frenético, conectado. Queremos “instantaneidade” — se essa palavra existir — a todo e qualquer momento.

Mas ao mesmo tempo, por mais rápido e urgente que possamos exigir que venham a informação e os resultados, em vários aspectos ainda estamos inertes, caminhando lentamente. Talvez a informação seja tanta, que, as vezes, ela contribua mais para nossa inércia do que para o nosso avanço.

Não é preciso fazer uma análise muito profunda para constatar que vivemos um momento singular na história. Por singular devemos ler não só político, como econômico, social, tecnológico e ambiental.

E talvez você venha a concordar que falta algo.

Alguma coisa não encaixa nessa história toda.

Se a informação e o conhecimento nunca pareceram tão acessíveis, porque não vemos avanços significativos e generalizados na democracia, na proteção e preservação meio ambiente, no acesso a tecnologia, na difusão da inovação, no acesso a informação e a educação?

Nossa hipótese é a de que faltam líderes.

E convidamos você a pensar num modelo distinto de liderança.

Em suma, esqueça, por um momento, o modelo de liderança que conhecemos popularizado por aí.

Nós estamos falando de um modelo de liderança que promova não o arrastar de multidões por figuras messiânicas, mas um modelo de liderança que permita cada indivíduo acessar sua motivação interna e levar adiante os processos de mudança que a sociedade precisa de maneira coletiva e integrada.

Neste ponto, há uma distinção interessante a ser traçada entre a definição de conhecimento, habilidade, atitude e comportamento.

Conhecimento é domínio do aparato teórico que rege um determinado fenômeno — seja ele natural, social ou psicológico. A habilidade é a instrumentalização do conhecimento: a aplicação prática. Já a atitude é a disposição a utilizar essa habilidade.

Em suma, conhecimento é “saber fazer”, habilidade é “fazer” e atitude é “querer fazer”. O comportamento, por fim, pode ser entendido como a soma dessas parcelas.

Comportamento = Conhecimento + Habilidade + Atitude

Se analisarmos bem, dispomos de conhecimento, mas carecemos de conhecimento aplicado na resolução dos problemas do dia a dia.

A habilidade é restrita a um grupo privilegiado de indivíduos que tem, proritariamente, acesso a informação e ao conhecimento.

E carecemos de atitude.

Estamos deixando intocados problemas latentes que só tendem, num futuro, a explodir.

E talvez possamos estar vivendo isso porque estamos olhando pouco para nós mesmos. Estamos cultivando um comportamento passivo e quase comodista, a espera de algo que “está por vir”.

Mas a história poderia ser diferente.

Há uma oração indígena de índios americanos, chamados índios Hopi, que diz:

“Nós somos aqueles que nós mesmos estávamos esperando”

Podemos estar, eventualmente, procurando por figuras messiânicas quando na verdade poderíamos estar nós mesmos realizando as mudanças que são necessárias e executando as ações que são latentes.

Isso talvez aconteça sobretudo porque as plataformas de aprendizado que temos acesso não despertam em nós o instinto criativo e o protagonismo necessários para nos fazer acreditar que todos nós somos capazes de nos tornar mais executores.

Nós podemos, através do autoconhecimento e através de espaços de conexão, que deem voz e vida a pessoas e projetos, despertar a autoliderança.

Precisamos formar mais pessoas capazes de utilizar conhecimento aplicado para resolver problemas. Pessoas que prezem pela execução em favor do eterno planejamento. Precisamos de pessoas mais empáticas, com a capacidade de escutar as dores expostas e desenhar soluções pra uma sociedade melhor. Esses são os verdadeiros líderes de quem precisamos: os “líderes de si mesmo”.

E poderíamos começar a procurar essas pessoas em nós mesmos, através de autoconhecimento e através do desenvolvimento de comportamentos mais proativos, sensíveis e criativos.


Este texto foi produzido para a Comunidade de Práticas em Engenharia e Empreendedorismo da UFBA.

A Comunidade de Práticas tem o objetivo de impulsionar a formação empreendedora dentro da universidade por meio de um espaço aberto de criação, aprendizagem e inovação.

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No dia 11/08 sexta-feira — as 17 horas, na INOVAPoli — localizada no 4º andar da Escola Politécnica da UFBA — a Comunidade de Práticas estará promovendo junto a Fundação Estudar um workshop gratuito sobre liderança.

A experiência é desenhada para que cada participante dê um passo rumo a descoberta da motivação pessoal, entre em contato com modelos e valores de grandes líderes e desperte seu potencial executar

Confirme presença: http://bit.ly/2fjR9KI

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