O que Breaking Bad poderia nos ensinar sobre autoconhecimento?

CPEE
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Jul 23, 2017 · 5 min read

Esse texto contem spoilers da série “Breaking Bad”. Caso você esteja assistindo-a ou planeje assisti-la, é recomendável não fazer a leitura desse texto!

“Autoconhecimento” talvez seja uma das palavras que descansam adormecidas nas nossas mentes e acordam de vez em quando nos momentos em que sentimos uma retumbante necessidade de nos aprofundar nos meandros de nossas mentes.

Constantemente, por outro lado, somos bombardeados com a necessidade de reconhecer com clareza nossos pontos fortes e nossos pontos fracos, ao mesmo tempo em que palavras como “propósito” vão se tornando verdadeiros “clichês inspiracionais”.

A verdade é que o autoconhecimento pode ser uma das ferramentas mais poderosas para o próprio desenvolvimento, superação e bem estar. O ato de se conhecer pode ser determinante para viver uma vida mais saudável e provida de sentido tanto no aspecto pessoal como no profissional.

Nesse texto, faremos uma aproximação entre a icônica série “Breaking Bad”, onde Bryan Cranston protagoniza um professor de química que se transforma em um lendário produtor e fabricante de metanfetamina, e a necessidade e importância de se buscar uma maior compreensão sobre si mesmo

Walter White, protagonista da série, é um pacato professor de química de uma escola de segundo grau em Albuquerque, New Mexico. Ele vive nos clássicos subúrbios estadunidenses — aqueles bairros aparentemente tranquilos e bem organizados cheio de casas que vemos em filmes — junto com Skyler, sua esposa, e seu filho, Walter Junior.

Walter, Skyler e Walter Junior formam a clássica American Standard Family: sem muitas ambições, tocam a vida cotidiana preocupando-se em guardar dinheiro para a faculdade dos filhos e para a aposentadoria enquanto pagam as longa e intermináveis prestações da casa própria.

O que não se sabe é que, na verdade, no passado, Walter esteve próximo de se tornar um bilionário da indústria química, juntamente com dois amigos, Gretchen e Elliot, haja vista seu talento e capacidade singular na ciência da transformação da matéria.

Ele desistiu desse sonho, vendendo sua parte da empresa em seus estágios inicias, para se casar, ter filhos e comprar uma casa. Assim, se tornou professor de química e, para complementar a renda, trabalha em um lava jato.

A primeira lição sobre autoconhecimento mora justamente aqui: é preciso desenvolver um entendimento dos objetivos pessoais mais profundos e, mais do que isso, desenvolver a capacidade de se manter firme as ideias, convicções e sentimentos que nos movem.

Sutilmente, vê-se nos episódios inicias da série que Walter carrega consigo um ressentimento guardado de ter deixado a empresa e caminhado rumo a uma vida meramente estável. Estava claro a sua paixão, no passado, pelo desconhecido e pelo desafio.

Walter e Gretchen na Grey Matter Technologies — a empresa referida anteriormente.

A série inteira se pauta no descobrimento de um câncer nos pulmões de Walter, de natureza incurável.

De início, o professor encontra na necessidade de se deixar uma herança financeira — que seja capaz de pagar os estudos de Walter e Holly, sua filha recem nascida — a motivação para mudar drasticamente a sua vida.

A partir daí, Walter decide produzir e vender metanfetamina, uma droga sintética comumente produzida de modo artesanal ou traficada dos cartéis mexicanos, tendo em vista a sua capacidade como químico.

Eis aqui outro ponto interessante. O exercício do autoconhecimento consegue desenvolver no indivíduo a capacidade de identificar quais são os gatilhos necessários para desencadear mudanças e injeções de motivação. É aqui que o autoconhecimento esbarra na noção de propósito e na capacidade de fornecer ao indivíduo um entendimento claro do seus objetivos de vida.

Evidentemente, a parte prática de se deixar uma herança financeira através da venda de metanfetamina não é tão simples como Walter espera. Assim, a sua saga se estende por cinco temporadas e se esbarra em uma série de personagens e situações icônicas.

Com o tempo, o relacionamento de Walter com a família se deteriora. Ainda que ele tente deixar claro — quando seu plano se torna evidente — de que tudo o que ele estava fazendo era pela família, ele acaba por destruir tudo aquilo que tentou preservar: seu casamento, sua casa, seu relacionamento com seus filhos.

A grande sutileza da série reside justamente no fato de que tudo o que Walter fez sob a alegação de querer deixar um legado para sua família, ele o fez meramente por si mesmo.

Isso se traduziu no que talvez seja um dos finais de série com maior densidade psicológica de todos os tempos: a memorável conversa entre Skyler e Walter depois que tudo se destruiu.

Walter: Skyler, tudo o que eu fiz, você tem que entender… (Skyler interrompe)
Skyler: Se eu tiver que eu ouvir, mais uma vez, que você fez isso por causa da família… (Walter interrompe)
Walter: Eu fiz isso por mim. Eu gostava. Eu era bom naquilo. Eu me sentia realmente… eu me sentia realmente vivo.

(Se você ficou saudoso, segue o link pra rever a cena: https://goo.gl/S4hz5V)

Antes da sua inevitável queda, Walter, sob o alter-ego de “Heisenberg”, se tornou uma lenda urbana. Um temível drug-lord responsável pela venda de um produto de extrema qualidade e pelo assassinato e afrontamento de temíveis traficantes.

A lição sobre autoconhecimento que Breaking Bad traz consigo se resume nas palavras de Walter.

Precisamos buscar aquilo que nos faz se sentir vivos; aquilo pelo que seremos lembrados e reconhecidos e sobretudo aquilo que nos faz se sentir bem.

A trajetória de Walter também é marcada por uma evolução assustadora, de um desajeitado professor de química a uma lenda urbana. Mas fica evidente que com o passar do tempo, suas ações se justificam muito mais pelo prazer que ele encontra no que faz do que pela alegação de deixar algo para a família.

Walter acaba por encontrar um jeito de retomar o sucesso que abdicou no passado e voltar a se sentir sobre o controle da sua vida.

Autoconhecer-se envolve sobretudo ter a capacidade de reconhecer não só pontos fracos e fortes que possuímos, mas também a imagem que temos de nós mesmos e a que transmitimos, bem como as memórias, sentimentos e ideias que nos representam.


Este texto foi produzido para a Comunidade de Práticas em Engenharia e Empreendedorismo da UFBA.

A Comunidade de Práticas tem o objetivo de impulsionar a formação empreendedora dentro da universidade por meio de um espaço aberto de criação, aprendizagem e inovação.

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