Sim, o sistema educacional está falido — mas o dever de mudá-lo é nosso.
Um convite a todas as almas atormentadas pelo sistema educacional.
Se pararmos um momento para refletir sobre a contribuição das escolas e universidades para um sentimento generalizado de desmotivação ou angústia em grande parte dos estudantes, rapidamente constatamos que devemos, urgentemente, parar de entender isso como “normal”.
O modelo educacional que vivenciamos hoje em dia perdura inalterado desde a revolução industrial.
A escola massificada foi criada no século XIX, no auge da Segunda Revolução Industrial, e tinha objetivos muito claros: educar a consciência coletiva para um mundo industrial.
Se pararmos pra pensar nas semelhanças entre uma linha de produção industrial e a escola moderna, notamos semelhanças assustadoras:

Somos divididos em séries e semestres, tal como uma linha de produção.
Nos debruçamos somente naquilo que nos cabe saber — ou aquilo previsto numa “ementa”, sem desenvolver uma visão ampla e sistemática. Sem, antes de tudo, aprender a aprender.
Obedecemos a sinos e sinais bem claros: tudo é cronometrado, dividido em pacotinhos diários de repetição. Tudo também é altamente linear: você aprende isso agora, isso aqui depois — atenha-se a ementa.
Existe uma hierarquia clara: professor-aluno.
Não é preciso dizer que a escola e a universidade não parecem ter mudado nada desde o século XIX: tudo continua mais ou menos o mesmo.
E ainda que diante desse paradigma, o modelo ainda ousa restringir e empacotar uma quantidade extremamente diversa de alunos e alunas a avaliações que envolvem basicamente dois (dos oito) tipos de inteligência: a inteligência lógico-matemática e a inteligência verbal-linguística.
Todas as outras inteligências — e são elas: corporal-cinestésica, musical, espacial, interpessoal, intrapessoal e naturalista — são renegadas e entendidas como “alternativas” ou “extra-curriculares”.
Nessa lógica perversa, muitos se sentem verdadeiras ovelhas negras por não se encaixar num perfil cruelmente delimitado pelo modelo educacional.
Não é preciso dizer que o ensino, dessa forma, é o grande responsável por asfixiar de modo cruel a criatividade a inovação: nas escolas, formamos vestibulandos e nas universidades formamos estudantes — e não pessoas, cidadãos ou profissionais (como queira chamar o que deveríamos formar nesses lugares).
A escola e a universidade não desenvolvem competências elementares, tais como inteligência emocional ou a capacidade de resolver problemas de modo criativo e inovador.
Assim, distanciamos cada vez mais as instituições de ensino da própria sociedade. Não preparamos pessoas para resolver problemas e tampouco sensibilizamos as pessoas da mera existência desses problemas.
A sala de aula não endereça as questões como o acesso a saneamento, educação básica, internet, energia, luz, diretos. A sala de aula não empodera pessoas — ela frequentemente divide pessoas entre notas e coeficientes de rendimento e obedece a uma lógica perversa de competitividade, eliminando a mera intenção de colaboração.
Dessa forma, se aceitarmos essa lógica, caminharemos cada vez mais por ver como natural desmotivação e ansiedade generalizada em escolas de segundo grau e cursos de graduação, bem como um afastamento cada vez maior dessas instituições dos reais problemas da sociedade.
Em uma sociedade altamente imprevisível, que respira o progresso tecnológico em tempo real e se reconfigura a todo tempo, seguindo as tendências locais e globais, urge a necessidade de plataformas de aprendizado multidisciplinares, conectadas, não lineares e exponencialmente imprevisíveis que preparem pessoas para um mundo tecnológico, exponencial e criativo.
Temos que assumir que consciência, cidadania, criatividade e liderança podem ser aprendidas, ensinadas e despertadas.

Não é necessário muito esforço para constatar que existe uma disparidade entre a capacidade criativa dos milhares de estudantes do país e as plataformas de aprendizado as quais temos acesso.
Estamos diante de uma mudança de era, e não apenas diante de uma era de mudanças — negar isso e se eximir da responsabilidade de mudar a educação, prezando por um ensino mais humano e que prepare para o futuro (e não para o passado) — é, sobretudo, irresponsável.
Devemos entender, todavia, que a mudança só poderá vir de nós — estudantes.
Ninguém conhece melhor nossas dores e necessidades do que nós mesmos.
Precisamos, enquanto responsáveis pela mudança, passar a ter uma atitude mais ativa em prol da mudança.
Precisamos criar espaços sem burocracia, horizontais, que fomentem a criatividade, inovação e a criação de laços.
Precisamos lançar um olhar mais zeloso aos problemas da sociedade e entender que é nosso dever endereçar os problemas da sociedade e gerar soluções para um futuro mais próximo.
Precisamos conectar pessoas para gerar impacto e transformação.
Precisamos dar vida a projetos mais ousados e empoderar as pessoas para serem capazes de realizar a mudança que precisamos.
Sem medo de errar. Um passo de cada vez.
“É muito tarde pra ser pessimista.”
Este texto foi produzido para a Comunidade de Práticas em Engenharia e Empreendedorismo da UFBA.
A Comunidade de Práticas tem o objetivo de impulsionar a formação empreendedora dentro da universidade por meio de um espaço aberto de criação, aprendizagem e inovação.
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Algumas das ideias desse texto foram retiradas do livro “Vai Lá e Faz”, do empreendedor, autor e professor Tiago Mattos (acesse: http://bit.ly/1HeYz9g).
A frase final foi retirada do documentário gratuito “Home” (acesse: https://goo.gl/Psw1tc)
