Amiga imaginária

Mirella não fora como minhas amigas normais, era ruiva, sardenta, de olhos tão verdes quanto as folhas que juntávamos durante nossas brincadeiras. Tínhamos os mesmos sonhos e ideias, nosso plano era invadir a lua, passar uma temporada por lá, talvez… Comentei uma vez sobre Mirella para minha mãe, deixando a mesma curiosa, ela queria conhecer essa tal amiga de que tanto eu falava, pois eu disse a minha mãe, “ela está aqui ao meu lado!”, minha mãe não a via, passava a mão sobre a minha testa, depositando na mesma um beijinho, saía sussurrando, “crianças, crianças…”. Pois eu sabia que Mirella existia, meu pai também não a via, muito menos minha professora. De fato era estranho como não conseguiam a enxergar, mas o que importava se eu a podia ver? Então todas às vezes que passava o recreio isolada, Mirella estava por lá. O problema é que nos distanciamos depois que completei meus 10 anos. Não colhíamos mais folhas pelo chão da rua, não conversávamos mais sobre como o tempo era esquisito, e agora que estou prestes a completar 20 anos, entendo o porquê de todos os adultos não enxergarem Mirella, hoje em dia eu também não a vejo…