libertação
Prederam o pássaro naquela gaiola, era lindo, o moço se gabava pelo ato feito, pela dificuldade que havia sido conseguir uma raridade daquelas, eu era apenas uma criança, conseguia enxergar de longe o quão flébil estava o bichinho. Batiam palmas, gritavam, gargalhavam, em cada atitude feita pelos seres humanos ali presentes, o animal se esquivava mais. Queriam que ele cantasse, mas ele não dava nem um “piu”, então assim do nada, o animal cismou a cantar, cantou, cantou, permanecendo apenas em uma nota, a mais alta. Parecia mesmo que não sairia daquela nota, parecia também estar querendo escapar de alguma forma dali, da forma mais dolorosa, até que sem fôlego, ele caiu, se espatifou. Sua morte foi também sua libertação…