menos um

Estávamos ensandecidos pela quantidade de bebida ingerida. Talvez se não nutrisse medida obsessão pelo rapaz, não cometeria tal ato. Porém, era agradável imaginar o toque de seu sangue em minha pele. Alfredo estava ali, jogado em um canto do quarto, deitado sobre aquele chão frio.

Por cinco minutos cheguei a sentir dó do pobrezinho. Não, não… Eu não sentia, de imediato gargalhei sozinha naquele quarto de hotel deteriorado pelo tempo.

Debrucei-me sobre aquele corpo deixando meus lábios encostarem delicadamente sobre a face que já estava adormecida, deixando ali um beijo… a marca do batom vermelho combinava com o seu estado.

Alfredo estava adormecido. Coloquei minhas vestes, caminhei até a porta e saí sem deixar rastros, e mesmo se ainda ficassem vestígios de meu crime, não me importava. Não sentia culpa.