Inovação nossa de cada dia: aprendizados do Festival Path 2019

Criah
Criah
Jun 6, 2019 · 5 min read

Durante os dias 1 e 2 de Junho aconteceu em São Paulo o Festival Path. Em sua 7ª edição, o maior evento de criatividade e inovação do Brasil apresentou que “todo mundo é uma ideia”. Por isso mesmo, viemos aqui contar as que tivemos depois de sair de lá.

Todo mundo já sabe, mas não custa nada relembrar: sobre todas as novas tecnologias, ferramentas e devices, o que prevalece é a experiência do usuário. Não basta ser bonito, ter uma interface moderna, estar atualizado das principais tendências de design; se não for intuitivo, claro e objetivo, não serve. Simplesmente porque tudo que não contribui com a experiência, pode até prejudicá-la.

Desde realidade aumentada (que já comentamos aqui) até a tecnologia no campo que impulsiona a agricultura, o usuário é o fator determinante para que um projeto dê certo. Quando se trata dos games, por exemplo, cerca de 30% da reserva dos projetos são destinados somente para testes, já que, ao receber o feedback do usuário, tudo pode mudar. São as marcas que se adaptam aos seus clientes e não o contrário; e se isso ainda não se tornou óbvio, talvez você esteja fazendo errado.

Também vale a pena refletir que, além do público, as ideias também estão sujeitas ao device. Atualmente, vivemos uma escassez de plataformas capazes de acompanhar o ritmo da tecnologia. As novas realidades, o blockchain, a IOT (Internet das coisas) e todo esse novo universo têm um ponto em comum: grande potencial, mas pouca probabilidade de acontecer. Por enquanto, diversas ideias prontas para mudar o cenário mundial através do consumo, da alimentação, do entretenimento, da segurança etc., continuam sendo apenas protótipos, esperando o momento, a plataforma e o suporte certos para startar. O que torna essas questões ainda mais interessantes é pensar que literalmente estamos desenvolvendo o futuro antes mesmo dele ser criado.

E por falar em futuro, se engana quem pensa que a inovação só se aplica aos dispositivos tecnológicos. Esse ano, o evento foi recheado de palestras especiais com importante cunho social. Os palcos do Path, distribuídos pela Avenida Paulista, receberam temas de discussão necessária, como o apoio à animação no Brasil, a aceitação e identidade de gênero LGBTI+, a revolução do sistema educacional, a cultura colaborativa do makers, a desapropriação territorial e cultural dos indígenas brasileiros, a empatia fora dos palcos e por de trás das telas.

De forma geral, muitas palestras do Path falaram sobre a arte de pensar diferente, de reimaginar; e o que isso poderia ser senão a inovação? Além de tornar o cotidiano mais conectado, um dos principais papéis da tecnologia é facilitar a vida em todos os aspectos, inclusive para aproximar diálogos e quebrar barreiras. Por mais que as tendências apontem cada vez mais para uma sociedade polarizada e individualista, a tecnologia ainda pode ser a redenção dos relacionamentos e, quem diria, do humano.

A democratização do acesso à informação e tantas outras conquistas permitem trazer temas que antes eram considerados periféricos para o centro da roda. A própria globalização através da internet é uma demonstração do poder gigantesco que essa ferramenta tem de reunir pessoas em torno de um ideal, um hobbie, um propósito.

Sabemos que a incansável busca pelo novo nunca vai parar, mas parece que ainda falta descobrir que ela deve ser sempre e a todo momento orientada pelo fator H. Não importa quantas novas tecnologias surjam e desapareçam. Devices serão ultrapassados e, tomara, descartados da forma correta. A internet um dia será uma invenção do passado e muitas outras coisas que consideramos essenciais hoje, brevemente serão consideradas obsoletas. Mas pessoas e suas necessidades são para sempre, apesar de serem finitas. Vidas humanas importam, sejam elas em qualquer formato, cor ou orientação. Uma das coisas que aprendemos com o Path esse ano é que, o que quer que a inovação desperte em nós, que seja pelas pessoas, por elas, para elas e com elas.

Conforme esperado, as inovações trazem também a oportunidade de novos negócios. Diversos mercados inexplorados estão emergindo no Brasil e no mundo para tratar de problemas reais com soluções surpreendentes. Já parou para pensar, por exemplo, que, mesmo com toda a tecnologia que dispomos hoje, a realidade que vivemos é muito diferente da que imaginávamos há cerca de 30 ou 40 anos? Diferentemente da perfeição idealizada, a vida moderna é regida pelo caos; aparentemente, quanto mais informação temos, mais desordem causamos. Para decodificar tudo isso, são necessárias ferramentas para reinterpretar, organizar e conectar essas informações. Por mais contraditório que pareça, o mercado hacker tem papel fundamental nessa tarefa. A habilidade de desconstruir, entender, remixar e processar conteúdos um a um é fundamental nos dias de hoje.

Seguindo o mesmo processo de setorização, os nichos têm representado um mercado inevitável. Até o empreendedorismo cannábico entrou na pauta do festival esse ano. O universo da erva vai muito além do uso recreativo, e ainda se falássemos só dele, a cannabis apresenta chances significativas de movimentar a economia; mas tudo isso somente depois da devida regularização. Em países onde a erva é legalizada, a tecnologia se tornou uma forte aliada na gestão de demandas e entregas — e olha que nem estamos falando dos dados que podem ser obtidos nesse processo! O mercado cannábico, tanto quanto outros nichos até então desprezados, apresenta inúmeras possibilidades.

Mas o festival não parou nas matérias orgânicas. O Path desse ano também abordou os resíduos tóxicos, que aumentam a cada ano no planeta. Você já deve ter visto que a quantidade de plástico que desperdiçamos diariamente já virou tema de muitas campanhas de conscientização e até fez com que grandes empresas abandonassem alguns velhos hábitos. Mas o que fazer com o que já virou lixo? A questão movimenta cada vez mais iniciativas inovadoras no tratamento de resíduos e até o processo de mineralização se tornou um aliado, só que dessa vez, criado por mãos humanas (dá para conferir o projeto aqui). Pela primeira vez um humano produziu um minério e o resultado dessa experiência é muito mais do que uma pedra com potencial estético; é um universo inteiro de oportunidades inéditas e otimistas. Aliás, a sensação de confrontação com essas novidades incríveis pode resumir muito do que vimos por lá.

No fim das contas, a verdade é que não daria para contar em um só artigo tudo que aprendemos no Festival Path 2019. Algumas descobertas continuarão nos surpreendendo enquanto as outras ainda estão sendo processadas pelo nosso hardware. A inovação ultrapassa cada vez mais fronteiras e só mesmo o futuro poderá dizer quantas realidades ainda seremos capazes de transformar através da nossa criatividade.

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