Distância que os aproxima

Pátio da Ocupação 9 de Julho/ Foto: Eduarda Lages

Visitando a Ocupação 9 de Julho, as diferenças mundiais aparecem em uma escala que pouco seria esperada por quem apenas observa do lado de fora do muro. Lá, reúnem-se pessoas tão diferentes quanto seus países de origem, incluindo o próprio Brasil, que por sua dimensão continental traz uma realidade diferente em cada estado.

Para começar, temos a irmã brasileira de língua: Angola, com o seu território de 1.246.700 km², preenchido pelas ruas estreitas e compridas, casas menores que seus quintais e cercas baixa. Esse país africano, quase seis vezes menor que o Brasil, sofre com certas mudanças climáticas e com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), além dos persistentes efeitos da recente guerra civil que assolou o país pouco depois de sua independência de Portugal. Um desses tais efeitos é uma visível falha na distribuição de renda, em que grande parte da população não está feliz com sua situação e sai em busca de novas oportunidades para melhorar o futuro de suas famílias. Isso se comprova no número de angolanos que saíram e sairão de sua terra natal. Sem planos gratuitos para saúde e/ou educação, a viagem para outro lugar se prova mais viável que uma vida de nacionalismo ufanista.

Acompanhando a viagem de alguns angolanos, voltamos os olhos para a cidade de São Paulo. Com 1 522 986 km², a selva de pedra se mostra agitada para seus novos moradores devido a suas ruas desorganizadas e confusas, que ajudam a dar a impressão de caos e velocidade que o povo paulistano prega. Uma terra cheia de promessas, onde a felicidade e a gratidão podem ser encontradas com pouco. Mesmo com todos os problemas de urbanização e organização social que o município enfrenta, a educação e saúde oferecidas pelo governo brasileiro ainda atraem aqueles que mantêm viva a esperança do novo lar. A luta por emprego e pela boa sobrevivência logo se apresenta aos recém-chegados, mas sua fé e seus novos companheiros não os deixam perder o bom humor.

Por fim, na Ocupação Nove de Julho todo o espírito caótico e apressado de “Sampa” é substituído por uma organização metódica e uma vida comunitária que luta por um bem comum: o sonho de um futuro melhor que seu presente. Lá, são impulsionados a buscar sua independência na luta por melhores condições. Para isso, a “mãezona” Dona Carmem e “seu” Valcir reforçam sempre que a ajuda externa deve ser um modo de resolver o problema — como uma vaga de emprego ou a oferta de um curso profissionalizante –, nunca a solução pronta.