Filhos da Ocupação

A vida das crianças da Ocupação 9 de Julho

Crianças moradoras da Ocupação 9 de Julho/ Foto: Eduarda Lages

Mudar de um lugar para o outro e não poder chamar nenhum deles de lar: essa é a realidade das muitas crianças que vivem em ocupações. Em visita à Ocupação 9 de Julho, no centro de São Paulo, conversamos com algumas crianças que moram ali e descobrimos seus sonhos, alegrias e saudades.

Assim que chegamos e elas viram a câmera, automaticamente correram em nossa direção, loucas para poderem compartilhar um pouco de suas vidas. Ao serem perguntados se eles gostavam de morar na Ocupação, todos responderem que não, o que foi uma surpresa, já que até pouco tempo estavam todos correndo e brincando juntos com uma cumplicidade inimaginável. Logo em seguida admitiram: todos gostariam de morar na construção moderna que fica ao lado, um prédio branco de luxo, com grande área de lazer, como uma piscina — que recebeu destaque na fala das crianças.

Edifício ao lado da Ocupação 9 de Julho/ Foto: Lorena Alves

Em meio à conversa, surge um novo tópico: saudade. Essas pequenas pessoas guardam diversas lembranças dos locais por onde passaram, sentem falta de suas primeiras casas, escola e amigos, mas não sonham em voltar para lá. Todas têm grandes perspectivas de vida, querem ser engenheiros, arquitetos, atores e atrizes; querem ganhar seu dinheiro e ter uma vida melhor do que a atual, um pensamento incrivelmente maduro para crianças que têm entre 8 e 13 anos.

Foram três horas de conversa sobre os mais diversos assuntos, abordando desde desenhos animados até sentimentos. A forma com que elas se abriam era impressionante, pois não têm vergonha ou “papas na língua”, como os adultos. Falam o que pensam e o que querem. Dessa maneira, a luta por moradia, na mente dessas crianças, ganha a leveza que toda infância carrega, o que faz com que o sonho de uma moradia própria se torne mais próximo.

Visita às crianças moradoras da Ocupação 9 de Julho