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Braxit

O Brasil não pode tomar decisões equivocadas nas relações internacionais

Ainda não é possível avaliar o impacto do BREXIT (saída do Reino Unido da União Europeia) na economia britânica, mas o desgaste político e nas relações internacionais já é evidente.

Apenas para recapitular, em 2016 a população do Reino Unido participou de um referendo onde puderam decidir entre ficar ou sair da União Europeia. 52% dos eleitores votaram pela saída. O Brexit venceu.

O Presidente eleito Jair Bolsonaro escolheu o diplomata Ernesto Araujo como Ministro das Relações Exteriores. Escolher um diplomata de carreira parece uma decisão sensata, mas as posições do novo Chanceler me causam preocupação.

Li na semana passada o ensaio "Trump e o Ocidente" escrito pelo próprio Ernesto Araujo onde ele deixa clara a sua devoção por Trump, pelos Estados Unidos e por deus.

Ao invés de entrar no mérito das convicções pessoais do novo Chanceler brasileiro, quero deixar um alerta: que o Brasil não repita o caminho adotado pelo Reino Unido. Sendo ainda mais específico: recomendo que o Brasil não deixe os BRICS em segundo plano.

recomendo que o Brasil não deixe os BRICS em segundo plano

Em 2019 será o ano do Brasil liderar os BRICS. A presidência tem mandato de um ano, sendo que no próximo nós estaremos à frente do bloco. Temos que nos preparar para essa oportunidade.

O motivo da minha preocupação é simples: BRICS é um dos blocos com maior potencial de influência e geração de oportunidades de negócios do mundo. Agrega cinco países com uma população somada de 3 bilhões de pessoas, possui um banco muito capitalizado e tem a China — que hoje é a maior parceira comercial do Brasil — como participante.

Imaginar um Brazil exit, ou seja, uma saída formal do bloco ou mesmo algo mais ameno, como uma permanência burocrática, não seria uma atitude sábia nesse momento. O Brasil pode — e deve — manter relações com todos os países, dos EUA à China, da Palestina à Israel. Temos essa característica agregadora e precisamos utilizá-la consistentemente.

O Brasil realmente precisa voltar a ocupar o seu espaço no cenário global, mas não pode errar nenhum movimento estratégico daqui pra frente, sob o risco de provocar desgastes como os que o Reino Unido vivem hoje.